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DESEJO DE LUA Nua na cama Deslizo anseios Flutuam nos seios Uma língua de chama Um beijo invisível Dou-me aos rostos Sabor de saliva E lábios de mel Botão intumesce E a seiva desce Da fonte macia Por sobre os lençóis. O sono esmaece O prazer div...
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Caros colegas, Este trabalho teve como base consultas na Internet, especialmente Wikipédia. Saudações, Marisa Soveral
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Não sei qual luta é maior, a de apoiar a liberação de Battisti, representante simbólico de tantos outros, ou a de recuperarmos o direito à informação, o mais isenta possível.... Dizem que finalmente a História cobra a verdade dos fatos, torcemos p...
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...Daí a pouco aparecia,sem os derretimentos, os agrados,o fogo de moça namoradeira.Quase um rapazinho,no seu vestido comprido, ;no cheiro que era dela só dela,não de extratos guardados em vidros de tampas complicadas.Sorria.Camilo também.E passea...
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AMELIA MARY EARHART, nasceu em Atchison, Kansas, no dia 24 de julho de 1897. Desapareceu no dia 2 de julho de 1937. Foi pioneira na aviação dos EUA, autora e defensora dos direitos das mulheres, sendo a primeira mulher a receber a “The Distinguished Flying Cross”, condecoração dada por ter sido a primeira mulher a voar sozinha sobre o oceano Atlântico. Estabeleceu diversos outros recordes, escreveu livros sobre suas experiências de vôo, e foi essencial na formação de organizações para mulheres que desejavam pilotar. Amelia desapareceu no oceano Pacífico, perto da Ilha Howland. enquanto tentava realizar um vôo ao redor do globo em 1937. Foi declarada morta no dia 5 de janeiro de 1939. Seu modo de vida, sua carreira e o modo como desapareceu até hoje fascinam as pessoas.

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EDITORIAL DA REDE

Camaradas:

Em um mês de novembro como este um famoso muro caiu por terra há 20 anos. A queda dessa construção trouxe espaços novos para novas concepções e horizontes. Não só para os habitantes circundantes a ele. O restante do mundo também foi afetado com a sua queda.

Não vamos entrar em pormenores neste espaço sobre os motivos pelos quais uma grande cidade terminou sendo dividida em Oriente e Ocidente. A queda desse muro tornou-se um dos fatos políticos e sociais mais famosos do extinto século 20, mas existem ainda muitos muros a serem derrubados através da causa humanista. O muro que aqui estamos a falar, instituição de triste memória, é o Muro de Berlim, cuja edificação cortava quintais de casas, dividia calçadas, atravessava cemitérios e violava túmulos. Sem esquecer que cerceava a liberdade e a soberania humanas.

No dizer dos antigos alemães orientais e ocidentais, o muro era uma serpente petrificada (Versteinerte Schlange). Na sua derrubada, os homens buscaram reconstruir uma identidade livre de há muito esquecida. Sua destruição ganhou dimensão mitológica porque saiu das mãos do povo. Tal como salientou o cineasta francês Luc Besson, “são sempre os pequenos que podem mudar as coisas. Quem deitou abaixo o Muro foi o povo nas ruas!

Temos de lembrar, aqui e agora: outros muros existem. E são muros contra os quais a raça humana tem de lutar em outra perspectiva. Perspectiva essa muito mais dura. A queda do Muro de Berlim e a sua existência já fazem parte da história. Outros muros mais concretos esperam pelos pequenos grandes lutadores para serem derrubados. Os perfis desses muros ferem a dignidade humana de tal forma que não se tem ideia de onde eles começam. Sabe-se que não têm e muito menos pretendem ter fim. Também são muros da vergonha e seus criadores esperam que “durem um século”, como assim esperava Erich Honecker, ex-líder da extinta Alemanha Oriental.

Esses novos muros da vergonha estão sendo erguidos por homens e mulheres, governantes ou não, travestidos de defensores dos pequenos. Na verdade, tais homens e mulheres, ou são marionetes ou representam chefetes subordinados a alguém maior. Esses novos muros da vergonha também vestem a roupa capitalista, fascista e opressora, e vendem um mundo ou mundos carnavalizados de falsas esperanças. Repletos de pão e circo. E, principalmente, com a inclusão do medo nas consciências. Medo de pecar contra um deus fantástico, medo de viver em total plenitude e harmonia humanas, medo de morrer e ganhar um inferno só existente devido à invenção dos donos das seitas e das religiões para melhor dominar o homem através de um mito divino.

O desfecho da queda do Muro de Berlim - que neste 9 de novembro completa vinte anos - trouxe em seu bojo um novo capítulo para a história da humanidade, e também a necessidade que temos de jamais esquecer. Os martelos e as picaretas do povo, dos homens pequenos, têm de estar a postos e sempre bem afiados para derrubar os novos e vergonhosos muros que estão sendo erguidos para limitar a liberdade humana de pensar por si mesma, de criar, viver, amar e sentir prazer.

Até quando o muro da homofobia, com seus casos esdrúxulos, será mantido em pé pelos governantes, homens e mulheres, e pelos fundamentalistas religiosos? Até quando os donos do muro da mentira irão extorquir e enganar a população em nome de um deus, com a promessa de um mentiroso lugar no paraíso? Até quando o muro da discriminação irá negar às mulheres salários iguais aos dos homens? Até quando serão discriminados em classes diferenciadas os que têm e os que nada têm? Até quando a doutrina do muro do medo fará os pequenos serem explorados até a medula por aqueles que se dizem seus pastores, protetores e governantes?

São esses alguns dos novos muros que estão a dividir a sociedade humana. Mas existem outros. E parodiando o poeta, lutar é preciso. Ainda que tais homens nos prometam Pasárgadas muito mais atraentes numa dimensão além da vida, o ser humano comum tem e deve manter-se armado com suas ideias de humanidade aqui no planeta Terra. Não devemos deixar que novas e cruéis serpentes petrificadas dominem, com suas farsas, as nossas consciências.

PAZ PARA TODOS

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VIAJANDO POR TEMAS CULTURAIS E HUMANISTAS

Apesar de dono de um cérebro superior ao dos outros animais, o ser humano tende a se manter apegado ao ideário primata, ao pensamento primitivo, sem perceber a peça que lhe prega o próprio intelecto. Temos habilidades que os outros seres não possuem, mas perdemos algumas que eles mantêm, e, por conta disso, somos impedidos de aproveitar melhor a nossa vida. O que chega a ser cômico é o nosso mundo civilizado achar que suas superstições são mais razoáveis do que as dos silvícolas.

Não temos um olfato que nos capacite a perseguir um inimigo como faz o cachorro; nem somos capazes de dar a volta ao mundo sem bons conhecimentos geográficos e bússolas como fazem algumas aves. Para vencer a resistência do ar, criamos máquinas adequadas, enquanto os pássaros voam com seus próprios membros. Todavia, donos de tantos inventos para superar as nossas deficiências perante os animais inferiores, ainda acreditamos que nossos instintos de sobrevivência sejam tentações de algum diabo. Acreditamos que anjos da guarda nos protegem. Cremos que se satisfizermos nossos desejos e instintos seremos enviados para um lago de fogo, o inferno, onde iremos arder eternamente. Tudo isso por obra de um deus onipotente, o qual, ainda que submeta suas criaturas a um castigo infinito e interminável, continua a ser considerado perfeito, justo e bom.

Lembro de uma reportagem apresentada pelo programa Globo Repórter em que os índios amazônicos praticavam rituais nos quais acreditavam ter poder de afugentar os maus espíritos das florestas. Aos olhos de um cristão deste século 21, essas práticas místicas dos indígenas não são mais do que fruto de seu primitivismo, pois espíritos das florestas não existem, são coisas imaginárias criadas pela fértil imaginação dos índios. Concordo com os cristãos crentes e católicos civilizados. Concordo! Espíritos das florestas são criações da imaginação inculta. Porém, agora eu pergunto: os cristãos deste século 21 e que se dizem cultos têm alguma prova da existência de outras entidades sobrenaturais? Se não há qualquer fundamento para se acreditar na existência dos espíritos da floresta, existe alguma base mais sólida do que a imaginação para crer na existência dos anjos da guarda? E no diabo? E no deus cristão? Alguém já viu o diabo? Jamais encontrei qualquer indício desses seres imaginados. Concluo, portanto, que nenhum cristão tem mais razão do que os índios.

Quando o homem criou, em épocas remotas, a crença de possuir uma alma imaterial e independente do corpo, buscava explicar o sonho. Só isso. Os nossos antepassados mais antigos não perceberam que se os sonhos fossem atos de supostos espíritos, cada vez que alguém sonhasse com uma pessoa essa pessoa teria inevitavelmente o mesmo sonho. Mas isso não acontece. Se os antigos habitantes da Terra interpretavam os trovões e os ecos das próprias vozes como as vozes dos deuses, mostravam apenas que não conheciam os fenômenos naturais. As pessoas com deficiência mental, os loucos melhor dizendo, eram consideradas endemoninhados (possuídos pelos demônios), porque faltava aos nossos antepassados uma melhor compreensão do complexo mecanismo cerebral.

Nos dias atuais, quando todos esses mistérios já deixaram de ser mistérios, ainda se fala, apoiando-se na tese de Santo Agostinho, que tais coisas complexas da natureza não podem ter nascido por acaso. E ainda se diz que isso é prova suficiente da existência de um criador supremo. Conheci esse argumento quando era criança. Mas o meu cérebro infantil conseguiu a capacidade de entender como essa premissa é inútil. Pensei assim: de onde não pode provir o simples pode surgir o complexo? Se do acaso não pode surgir a criatura, poderia dele surgir o criador supremo? Se todas essas coisas só podem ter sido feitas por um poderoso e sábio criador, esse criador deve ter sido criado por outro superior a ele. Consequentemente, o criador do criador também teria que ter seu criador, e este o seu, em uma corrente infinita, um círculo vicioso que jamais acabaria. E o mais interessante, se pode existir um “criador incriado”, por que coisas simples da natureza não podem existir sem um ente criador?

Convenhamos, a evolução dos seres vivos é inegável. Isso nós percebemos na modificação dos vírus e bactérias e no desenvolvimento de novos tipos de resistência, tal como ocorre nos insetos. Se os fósseis encontrados pelos arqueólogos apresentam organismos tão mais simples quanto mais distantes estiverem no tempo, não há como continuarmos apegados à idéia de que tudo foi criado por um deus onipotente há seis mil anos, cada um segundo a sua espécie.

Sabe-se que antigamente a chamada palavra de deus afirmava que o sol percorre o céu, “de uma a outra extremidade do céu vai o seu caminho”; que as estrelas cairão do firmamento "pela terra como a figueira, quando abalada pelo vento forte, lança seus figos verdes". Hoje percebemos e sabemos que o sol é apenas uma estrela com alguns planetas a circular em torno dele, entre eles a Terra. Sabemos que as estrelas são milhares e milhões de vezes maiores do que a Terra, sendo impossível que caiam sobre ela. Dessa forma só podemos concluir que essa palavra tão venerada que chama de deus, não passa de uma idéia humana nascida numa época muito antiga. Portanto, cristãos, muçulmanos, judeus ou quaisquer outros, não têm mais razão do que os selvagens que acreditam nos chamados espíritos das florestas. Infelizmente, o pensamento primitivo continua ditando as regras para as mentes da maioria das pessoas. E em pleno século 21.

Nesta rede do meu amigo Rafael Rocha – única em seu formato no Brasil inteiro e na América Latina – tomo a liberdade de dissertar sobre algo que me vem atanazando a memória e a vida. No primeiro semestre deste ano estive gravemente enferma, atacada pelo mosquito da dengue. Peguei a hemorrágica, coisa nada boa. Ao mesmo tempo, a doença trouxe determinados benefícios, tais como o conhecimento da fraqueza humana, não minha, claro, porque lutei com todas minhas forças para voltar a ser saudável, mas a dos outros.

Muitas pessoas que conviviam comigo acharam de bom tom fazer com que eu elevasse pensamentos ao deus em que elas acreditam, pedindo ajuda na forma de orações e outras coisas. Sou atéia e não creio nessas tolices de orações e muito menos em deus, deus e deusas. Preferi colocar minha vida nas mãos da ciência e do meu médico particular, como também acreditar em mim e que meu corpo e minha mente podiam superar tudo que estava a me acontecer. Fiquei curada, graças aos remédios e aos cuidados da ciência.

Porém, esses mercadores e oráculos das seitas cristãs não deixaram de encher a minha paciência. Ou, melhor, de torrar minha paciência. Um deles, parente de meu marido, resolveu atacar minhas idéias, salientando o quanto eu estava errada em ser atéia, pois a existência do tal criador está mais do que provada na grandeza do universo imenso que nos cerca. E nesse desfiar de tolices disse o quanto eu estava sendo incoerente por ser atéia e gostar de escutar, por exemplo, a Ave Maria, de Gounod.

A ignorância é a mola mestra onde a religião monta sua base. No entanto, até mesmo pessoas de elevado nível intelectual participam dessa mola. Como engrenagem dela. Este foi o caso desse parente de meu marido. Apesar de convalescente, rebati essa incoerência. Por ser atéia não vou deixar de admirar as criações do espírito humano. Por ser atéia, não vou deixar de observar a beleza dos vitrais de uma catedral. As obras de arte criadas por artistas, cujas mentes eram dominadas pelo medo de um deus ganancioso, cruel, incestuoso, e que tem como gerente um homem vestido de ouro da cabeça aos pés e que chamam de papa, ou gerentes secundários: os pastores das igrejas protestantes e outras seitas.

Aconselho todos desta rede a admirar o gênio humano. Esse gênio humano está na música, seja ela sacra ou não. Esse gênio humano está na escultura e na pintura – vale a pena admirar a Piettá, de Miguel Ângelo. O gênio humano está em toda parte em sua criação desenfreada e em contato direto com o engenho da natureza que o envolve.

Aconselho todos a curtir o Canto Gregoriano. Escutem o “Magnificat”, cantado pela Associação de Canto Coral & Camerata do Rio de Janeiro. Visitem a maravilhosa catedral de Notre-Dame, em Paris, e muitas outras construções desse tipo criadas pelo gênio humano, que também criou deus, deuses e deusas, santos, fadas, gnomos, faunos para seu deleite do imaginário. Olhem para o teto da Capela Sistina e admirem o gênio criador de Miguel Ângelo. Admirem a Madonna, de Sandro Boticelli.

As criações do gênio humano não têm nada a ver com religião nem com o deus cristão, judeu, marroquino, árabe, hindu, africano e outros. As criações do gênio humano refletem a buliçosa imaginação e consciência de nossa raça ser/estar e de se manifestar no mundo, tanto que nossa raça criou deus à sua própria imagem e semelhança, inclusive uma eternidade após a morte para que seu próprio desejo de ser imortal se tornasse algo palpável.

Fora isso, meus queridos amigos, o gênio humano ganha de goleada, como se diz na gíria esportiva, da idéia de deus (estou correta, Valdeci Ferraz?) e permanece criando e recriando seu romance de um encontro na eternidade com seu criador, que é somente ele, o homem!

Ele existiu! Não é um mito. E muito menos foi um vampiro. Possuía linhagem nobre e seu nome era Vlad Tepes, ou Vlad Dracul, mais exatamente Vlad III. Tem sido tão confundido com a moderna lenda dos vampiros, que é difícil ignorá-lo. Poucos sabem na verdade quem foi Vlad Dracul, também conhecido como Vlad, o Empalador (Tepes). Historicamente, foi um príncipe no país da Transilvânia durante o século 15 e devido à sua extrema crueldade, ficou conhecido como Drácula, que significa "filho do diabo" ou “filho do dragão”.

O termo "Drácula", que originalmente significa "filho do Dragão", veio de seu pai, que era filho de um Cavaleiro da Ordem do Dragão. Vlad II era chamado "Dracul", que significa "Dragão". Vlad III, seu filho, era chamado "Drácula". A confusão da terminologia cresceu por causa da palavra alemã "Drache", que foi o título de Vlad II, e similar à palavra romana "Drac", que pode significar dragão ou diabo (considerando as ações depois da vinda do poder de Vlad III, "filho do diabo" o que é mais apropriado para seu nome.) Ele viveu de 1431 a 1476. Na realidade, não foi o governante da Transilvânia. Foi de fato o governante de uma região vizinha conhecida como Valáquia, que fazia parte do Império Romano e era conhecida como a Dácia.

Vlad nasceu numa cidade da Transilvânia (que atualmente faz parte da Romênia) chamada Sighisoara, em 1431, enquanto seu pai, Vlad II, estava vivendo exilado e tentando conseguir apoio de Alexandre I para ter de volta o trono de Valáquia. Nada mais se sabe sobre a infância de Vlad III. Ele teve dois irmãos, Mircea e Radu e sua educação primária foi dada por sua mãe. Seu verdadeiro aprendizado veio mais tarde, após seu pai recuperar o trono, eliminando Alexandre. Sua educação fora típica para a época, sendo-lhe transmitido elementos que o tornariam um perfeito cavaleiro cristão, incluindo combate pessoal, coisas relacionadas com a guerra, táticas etc. Mesmo depois de Vlad II ter retornado ao trono, a situação da Valáquia era instável.

Guerra após guerra, Vlad III tornou-se prisioneiro de um sultão e a Valáquia foi dominada pelo império Otomano e seu pai Vlad II ainda que recuperasse o trono e soltasse o filho foi assassinado pelos turcos. Vlad III tornou-se o servo do novo imperador turno, mas sempre esperando a hora de vingar a morte do pai. Retomou o trono com esse pensamento. Os anos entre 1456 até 1462 marcaram o grande período de Vlad III no trono. A cidade de Tirgoviste tornou-se capital da Valáquia e ele construiu um castelo nas montanhas próximas ao rio Arges, dando inicio à sua própria guerra contra os turcos durante esse período. Obteve algum êxito e tornou-se um herói. Era habilidoso na luta e sua crueldade fazia com que os soldados turcos o temessem. Também foi nesse período que a maioria de suas atrocidades o fizeram abominável.

Vlad III foi forçado a emigrar para a Transilvânia no ano de 1462 , depois de outra invasão turca na Valáquia. Sua esposa jogou-se da torre do castelo, preferindo morrer a tornar-se prisioneira dos turcos. Vlad pediu ajuda ao rei da Hungria, Matthias Ccovinus, mas o mesmo em vez de ajudá-lo colocou-o na prisão por doze anos. A sua prisão aparentemente era um tanto caseira e bem perto do rei e aos poucos conquistou as graças do soberano e até conheceu e se casou com uma donzela da família real, de acordo com alguns historiadores, com a irmã do rei. Enquanto isso, o irmão de Vlad III, Radu, assumia o trono de Valáquia, com a ajuda dos turcos. Em 1474, Vlad III tentou de novo retomar o trono.

Ajudado pelo príncipe da Transilvânia, Stephen Bathory, ele invadiu a Valáquia. Seu irmão, Radu, tinha morrido há alguns anos e havia sido sucedido por um marionete turco, Basarab o Velho. Quando os soldados de Vlad III se aproximaram, Basarab e seus partidários fugiram e Vlad III assumiu o trono. Mas logo depois foi abandonado pelos seus guardas e ficou numa situação difícil. Um exército turco de 4 mil homens invadiu a Valáquia e junto com seus comandados que eram poucos, Vlad III lutou com todas as suas energias restantes. Uns dizem que morreu bravamente, como um herói, no entanto, a teoria mais aceita é de que ele se disfarçou como um soldado turco para se infiltrar e foi morto por seus próprios homens. Enviaram sua cabeça para Constantinopla onde o imperador a enfiou num espeto, colocando-a em praça pública, dizendo que o demônio estava morto. Seu corpo foi enterrado em Snagov, mosteiro localizado perto de Bucareste.

CASTELO DO CONDE DRÁCULA NA ROMÊNIA FOI COLOCADO À VENDA

A primeira pessoa a usar Drácula como um vampiro foi o escritor Bram Stocker. De fato, o personagem de Drácula, escrito por ele, se parece muito mais com um anjo quando se comparado ao verdadeiro. Enquanto que o Drácula de Stocker matava suas vítimas ocasionalmente, na vida real para beber o sangue, Vlad III dizimava cidades inteiras. As pessoas eram executadas nas mais diversas formas de crueldade: despedaçadas pelos cavalos, queimadas etc. Era conhecido também como Tepes (que quer dizer Empalador). A morte pela perfuração foi uma forma de execução usada com freqüência por Vlad Dracul. As estacas eram bem arredondadas, não afiadas, e se passava óleo nelas. A vítima era perfurada, geralmente pelo ânus, passando horas e até mesmo dias em agonia extrema. Os corpos eram deixados por meses nas estacas. Vlad tinha centenas, às vezes milhares de pessoas executadas ao mesmo tempo. Um relatório diz que os soldados turcos que invadiam suas terras voltavam para trás, horrorizados quando viam os milhares de corpos se decompondo nas estacas ao longo da margem de um rio. Um outro relatório, indica que, em 1460, Vlad Dracul empalou dez mil pessoas ao mesmo tempo na cidade de Sibiu, na Transilvânia. Outro diz que ele empalou 30 mil comerciantes e nobres na cidade de Brasov. Exagero? Como saber disso?

O empalamento não foi a única forma de execução e tortura usados por Vlad Dracul. As pessoas às vezes tinham pregos enfiados a marteladas em suas cabeças ou em outras partes do corpo. Braços e pernas eram decepados, as pessoas eram cegadas. Orelhas e narizes cortados. Os órgãos sexuais, especialmente das mulheres, eram mutilados. Qualquer pessoa era sujeita à tortura e à morte. Suas vítimas incluíam fazendeiros, nobres, comerciantes, príncipes, embaixadores de outros países, prisioneiros de guerra e as mais comuns eram os comerciantes e os pequenos nobres de seu próprio país e da Transilvânia, contra os quais ele tinha muito ódio desde o assassinato de seu pai e seus irmãos.

No entanto, lembro aqui que enquanto Vlad III, o Dracul foi considerado inacreditavelmente cruel, muitas das histórias sobre ele provêm de estudos um tanto suspeitos. Como diz o ditado: a história é escrita pelos vencedores e os vitoriosos não tinham amor por Vlad e sua família. Muitos destes contos tiveram origem na Alemanha, Rússia e Turquia. Fontes que sem dúvida, exageravam a crueldade de Vlad. Seus inimigos o retratavam como um monstro que chacinava inocentes com alegria, enquanto que outras fontes mais simpáticas o retratavam como muito cruel, mas como um homem justo e injustiçado por utilizar métodos extremos para controlar a corrupção e imoralidade. Porém, muitas fontes históricas concordam que a grande maioria dos eventos aqui relatados realmente ocorreram.

O castelo de Drácula fica ao norte da Wallachiana cidade de Tirgoviste. Vlad Tepes aka Dracula morreu em 1476. Sua tumba foi aberta em 1931, mas estava vazia a não ser por uma coroa de ouro, uma gargantilha com o símbolo de uma serpente e fragmentos de um traje de seda vermelha, com um sino costurado nela. Infelizmente todas essas coisas foram roubadas do History Museum of Bucharest (Museu Histórico de Bucarest), onde tinham sido depositadas.

E-mail: paiva.rivaldo@hotmail.com
Nesse limiar dos anos 60, respiramos a esperança de uma aguerrida atuação por parte de alguns daqueles líderes políticos em prol do nosso desenvolvimento econômico e social. O Estado de Pernambuco era o Leão do Norte, ainda que uma região um tanto e sempre esquecida, assim miserável. O Recife era a Capital do Nordeste – mais perto da Europa, por isso detendo o título de Terceira Capital do País. Deslumbrando-se, por fim, com sua fina sociedade empresarial, argamassando dividendos de luxo, alegria e romantismo, prenunciando um possível rico pólo industrial.

Cid, num lapso de dengo familiar (aos Souza Leão de sua grande dama Dulce – seu grande e eterno amor), cedeu espaço político ao cunhado imigrante Miguel Arraes, que assumiu seu lugar com competência cearense, alimentando seu próprio desencanto posterior – conforme depoimento do mesmo doutor Cid (a quem, por desejo in pectoris, prometi só revelar suas duas horas e meia de depoimento a mim concedidas em gravação na sua então mansão de Apipucos nos idos de 1997 após sua morte, que cumprirei).

Veio o Golpe de 64. Depuseram Arraes, apagando essa linhagem do poder em eleições diretas governamentais, adotando outra, a da imposição goela abaixo do povo – era a vez dos biônicos indicados pelos verde-oliva: os Guerra, de Paulo; os Coelho sertanejos, de Nilo. Interrompendo, os militares convenceram o tranqüilo, bom e humilde Eraldo Gueiros Leite a assumir as Princesas (coisa que ele nunca ambiciou), talvez o único nome que não pode ser considerado “dono” ou legatário de continuidade do poder nesta ladainha, jamais ligando para as futilidades do mando.

Vai não vai, futricas de cá, boquirrotices de lá, lá vem outro Cavalcanti, o Zé de Moura, com suas sirenes e arrogâncias. Aí o período militar se encerra com os macielistas, de Marco Antônio – sem dúvida, queiram, vociferem ou não, a então maior liderança nacional do Estado (sucedido hierarquicamente pelo meu amigo José Ramos) – produzindo, vejam só, mais um Magalhães, o Roberto. Este, por sua vez deixou a bola cheia para seu vice Gustavo Krause (também aparentado dos Cavalcanti).

Tudo foi furado por quem? Pelo velho Arraes já anistiado, que, não se fazendo de rogado, jogou as chaves das Princesas – no meio o querido e saudoso Cali – para outro Cavalcanti (vão contando – Albuquerque, Maranhão, Cavalcanti, uma linha só), o Joaquim (não sei por quê e não entendi, hoje pros lados do PSB). Ah! Lembrei-me, naquela época ele devolveu as chaves do governo, elegantemente, para o mesmo Miguel, pela terceira vez no poder...

E, com pra lá dos oitenta, ainda querendo continuar sua oligarquia de um homem só, mostrou unhas e dentes para o ex-aliado Jarbas, que é Vasconcelos, espremendo no meio o Andrade, que é dos Morais, idem dos Cavalcanti – com tê-e-ti, vale salientar.

Sem toques nem retoques o grande mito perdeu por mais de um milhão de votos para o Palácio do Campo das Princesas, sem a mínima necessidade – contraponteando uma posição admirável sua de ser contra a reeleição para cargos majoritários executivos. Uma pena e pouca assessoria para encerrar a sua história política grandiosa nesta terra de Nassau.

Jarbas repetiu o mandato e foi-se embora para o Congresso como senador, sem antes eleger Sérgio Guerra e também Maciel ( independentemente, Marco se elegeria pelo seu próprio nome, incólume em todos os sentidos da vida pública desta “beleza política brasileira”).

Entre um bocado de siris jogando bolas, o jovem Eduardo Campos assume o governo. Quem é? O neto de Miguel Arraes! Dá pra tu ou quer mais?...

E assim continua a política pernambucana durante todo este iniciante século 21, com essas “linhagens” sem largar o poder, entrelaçando famílias, perpetuando patriciados, seguidores novos e escondidos em patronais sobrenomes, justificando suas periódicas presenças em apanágios ideológicos, enganando o povo besta e sempre escravizado a bolsas mendigas populistas.

Uma hereditariedade direta ou indireta inconseqüente, desancando a sempre adormecida desunião, outra patente tão tipicamente nossa, que só nos causou e causa estragos ao longo de uma história ressaltada de heroísmo.

Mas, é preciso saber que ainda nos resta torcer para que toda eleição seja, por Deus, a derradeira mesmice dessa capitania, que um dia foi proclamada República de Pernambuco, como último afeto que venha a encerrar a última oligarquia política.

e-mail: diogomoyses@terra.com.br

O frio do final de semana que passou me fez ficar boa parte do tempo em casa vendo tevê. Pulando de um canal ao outro, dei de cara com a dupla Estevam e Sônia Hernandes, que retornou ao Brasil após mais de dois anos de prisão nos EUA. Também topei, claro, com quase uma dezena de bispos, padres, pastores ou outros líderes religiosos que, por ignorância, não sei dizer bem o que são. Lembrei-me, ou fui lembrado, da necessidade de discutir a presença cada vez maior das religiões na televisão brasileira.

O fenômeno não é novo, e nem privilégio nativo. Na maioria dos países isso acontece prioritariamente nos serviços por assinatura, a cabo ou por satélite. Quando ocorre na tevê aberta, como nos países da América Latina, em geral se resume a alguns horários ou poucas emissoras.

No Brasil, contudo, o fenômeno é endêmico. Igrejas, aos montes, são elas mesmas concessionárias de radiodifusão ou alugam períodos inteiros da programação de outras emissoras (o que é ilegal, diga-se, mas sobre isso falaremos em outra oportunidade). Mesmo emissoras públicas, como a TV Brasil e a TV Cultura de São Paulo, ainda possuem em sua grade de programação a transmissão de eventos religiosos. O leitor sabe exatamente do que estamos falando e por isso não é necessário listar ou apontar casos concretos. Os exemplos são fartos e visíveis.

Cada um tem lá suas crenças. Também tenho as minhas. Mas isso não elimina a necessidade de perguntar, sem sectarismos ou fanatismos, se as religiões devem mesmo ocupar a televisão aberta. Caso a resposta seja positiva, devemos questionar se sua presença deve ser indiscriminada, como ocorre atualmente, ou baseada em certas regras ou determinações legais.

A defesa da programação religiosa possui um argumento não desprezível: o fato da religião ser também uma manifestação cultural e, como tal, merecer ampla divulgação, ou pelo menos não poder sofrer restrição. Contra a programação de cunho religioso, no entanto, parecem estar os dois argumentos mais relevantes.

O primeiro é o fato da religião ser uma manifestação essencialmente privada, o que faz com que os telespectadores tenham o direito a que este tipo de conteúdo não invada a sua casa. Se entramos em templos ou igrejas por iniciativa própria, não parece correto que estes entrem em nossas casas sem a nossa autorização.

O segundo está ligado ao fato de o Estado brasileiro dizer-se laico, ou seja, não religioso. As concessões de televisão são públicas, outorgadas pelo Estado, o que faz com que estas não possam ser utilizadas para esse tipo de proselitismo, inclusive para evitar que se configure o favorecimento a esta ou aquela crença. O argumento é bastante forte, praticamente incontestável do ponto de vista jurídico e regulatório. Mas o fato é que nada disso é observado no Brasil, como se a presença maciça das religiões fosse algo natural.

Vale lembrar, também, que a presença das igrejas é não só indiscriminada, mas também desigual. Algumas religiões, com ampla maioria para os evangélicos e católicos, ocupam as telas graças ao seu poder político (que faz com que consigam obter do Estado as concessões) ou em função de seu poder econômico (que permite a compra de horário em outros canais). Não à toa, religiões de matrizes africanas estão fora das telas. Há que se considerar, evidentemente, que a própria programação religiosa é diversificada, com cultos e missas, conselhos por encomenda, sessões de descarrego e, inclusive, programas de debates. O respeito à diversidade religiosa, contudo, não pode encobrir o fato de algumas igrejas ocuparem a televisão somente para ganhar dinheiro seduzindo telespectadores. De qualquer forma, o problema é certamente complexo. Mas como enfrentá-lo? Proibir as religiões na televisão aberta, como fazem alguns países? Ou construir regras capazes de garantir equilíbrio em sua ocupação?

A resposta não é simples e exige reflexão. Alguns caminhos parecem possíveis, como a adoção de critérios de classificação indicativa, onde certos conteúdos (como determinados cultos não muito leves, se é que vocês me entendem) não poderiam ser transmitidos nos horários em que os pais normalmente encontram-se fora de casa. Outra possibilidade, complementar, seria reservar um canal exclusivo para as religiões, com alguns critérios de representatividade, para que sua ocupação aconteça de forma justa e não em função do poder político ou econômico das igrejas.

Por fim, parece importante restringir de forma radical determinados conteúdos, como os cultos que discriminam outras crenças e os que expõem as pessoas sem seu conhecimento.

Se o debate é complexo, uma coisa é certa: ficar do jeito que está, não dá.

O estudo da questão humanista deve ser formulado hoje com referência às condições em que o ser humano vive. Tais condições não são abstratas. Não é legítimo ligar o Humanismo teorias sobre a Natureza, sobre a História, ou uma fé em algum deus. A condição humana é tal que o encontro imediato com a dor e com a necessidade de superá-la é inevitável.

Tal condição, comum a tantas outras espécies, encontra na espécie humana a adicional necessidade de prever para o futuro como superar a dor e alcançar o prazer. Sua previsão de futuro se apóia na experiência passada e na intenção de melhorar sua situação atual. Seu trabalho, acumulado em produções sociais passa e se transforma de geração em geração em luta contínua para superar as condições naturais e sociais em que vive.

O Humanismo define o ser humano como ser histórico e com um modo de ação social capaz de transformar o mundo e a natureza humana. Este ponto é de capital importância porque, ao aceitá-lo, não se poderá afirmar depois, coerentemente, um direito natural, uma propriedade natural, instituições naturais ou, por último, um tipo de ser humano no futuro, tal qual é hoje, como se ele estivesse terminado para sempre.

Os aspectos fundamentais do Humanismo Histórico foram os seguintes: 1.- A reação contra o modo de vida e os valores do Medieval. Assim, começa um forte reconhecimento de outras culturas, particularmente da greco-romana, na arte, na ciência e na filosofia; 2.- A proposta de uma nova imagem do ser humano, do qual se exaltam sua personalidade e sua ação transformadora; 3.- Uma nova atitude com respeito à natureza, à qual se aceita como ambiente do homem e já não como um submundo cheio de tentações e castigos; 4.- O interesse pela experimentação e investigação do mundo circundante, como uma tendência a buscar explicações naturais, sem necessidade de referências ao sobrenatural.

Esses quatro aspectos do Humanismo Histórico convergem para um mesmo objetivo: fazer surgir a confiança no ser humano e sua criatividade, e considerar o mundo como reino do homem, reino ao qual este pode dominar mediante o conhecimento das ciências. A partir dessa nova perspectiva se expressa a necessidade de construir uma nova visão do universo e da história.

Da mesma maneira, as novas concepções desse Humanismo Histórico levam à reformulação da questão religiosa tanto nas suas estruturas dogmáticas e litúrgicas como nas organizativas que, naquele tempo, impregnaram as estruturas sociais do Medieval. O Humanismo, em correlato com a modificação das forças econômicas e sociais da época, representa uma revolução cada vez mais consciente e cada vez mais orientada para a discussão da ordem estabelecida.

O antigo tema da relação do homem com a natureza adquire novamente importância. Ao retomá-lo, descobrimos esse grande paradoxo no qual o ser humano aparece sem fixidez, sem natureza, ao tempo que advertimos nele uma constante: sua historicidade. Por isso, esticando os termos, pode-se dizer que a natureza do homem é sua história; sua história social. Por conseguinte, cada ser humano que nasce não é um primeiro exemplar equipado geneticamente para responder a seu meio, mas um ser histórico que desenvolve sua experiência pessoal em uma paisagem social, em uma paisagem humana.

Eis aqui que neste mundo social, a intenção comum de superar a dor é negada pela intenção de outros seres humanos. Estamos dizendo que uns homens naturalizam a outros ao negarem sua intenção: os transformam em objeto de uso. Assim, a tragédia de estar submetido a condições físicas naturais impulsiona o trabalho social e a ciência para novas realizações que superem ditas condições; mas a tragédia de estar submetido a condições sociais de desigualdade e injustiça impulsiona o ser humano à rebelião contra essa situação na qual se adverte não o jogo de forças cegas, mas o jogo de outras intenções humanas.

Essas intenções humanas que discriminam uns e outros são questionadas em um campo muito diferente ao da tragédia natural na qual não existe uma intenção. É por isso que em toda discriminação existe sempre um monstruoso esforço para estabelecer que as diferenças entre os seres humanos se devam à natureza, seja esta física ou social, que realiza seu jogo de forças sem que a intenção intervenha. Far-se-ão diferenças raciais, sexuais e econômicas justificando-as por leis genéticas ou do livre mercado, mas em todos os casos se haverá de operar com a distorção, a falsidade e a má fé.

O Humanismo declara que há de se passar da pré-história à verdadeira história humana só quando se eliminar a violenta apropriação animal de uns seres humanos por outros. Entretanto, não se poderá partir de outro valor central que o do ser humano pleno em suas realizações e na sua liberdade. A proclamação: "Nada acima do ser humano e nenhum ser humano embaixo de outro", sintetiza tudo isto. Se colocar como valor central um deus, o Estado, o dinheiro ou qualquer outra entidade, subordina-se o ser humano, criando condições para seu controle. Os humanistas têm bem claro este ponto. Eles partem do ser humano para fundamentar sua visão de mundo visão de mundo e sua ação. Partem do ser humano e de suas necessidades imediatas.

Assim, os humanistas fixaram posições. Não se sentem saídos do nada, mas tributários de um processo longo e de um esforço coletivo; estão comprometidos com o momento atual e propõem uma longa luta para o futuro. Afirmam a diversidade em franca oposição que até agora foi imposto e apoiado em explicações de que o diverso põe em dialética os elementos de um sistema, de maneira que ao respeitar-se toda particularidade dá-se liberdade a forças centrífugas e desintegradoras.

Os humanistas pensam no oposto e destacam que, precisamente neste momento, o avassalamento da diversidade leva à explosão das estruturas rígidas. Por isso, é que enfatizamos na direção convergente e na intenção convergente e nos opomos à idéia e à prática da eliminação de supostas condições dialéticas em um conjunto dado. Os humanistas reconhecem os antecedentes do Humanismo Histórico e se inspiram nos aportes das diferentes culturas, não somente naquelas que neste momento ocupam um lugar central. Eles pensam no porvir tratando de superar a crise presente. São otimistas. Acreditam na liberdade e no progresso social.

Mensagens de blog

Celso lungaretti

Imprensa x Caso Battisti: desinformação programada ou pastelão desavergonhado?

Em seu lobby repulsivo e ininterrupto para tornar os brasileiros dóceis às imposições italianas, a Folha de S. Paulo martela dia após dia que a esquerda de lá estaria também apoiando o pedido de extradição de Cesare Battisti.

Só que, como esquerda, cita os membros do Partido Comunista Italiano que, acumpliciando-se com os inimigos de classe da democracia-cristã, assumiram o compromisso histórico de garantir sobrevida ao capitalismo até onde a vista alcançasse, tangendo os verdadeiros revolucion… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 24 novembro 2009 às 10:53

Celso lungaretti

O que se pode esperar da 5ª Internacional lançada por Chávez?

Num encontro que reuniu, na semana passada em Caracas, representantes de partidos de esquerda de 40 paises da África, América Latina, Ásia, Europa e Oceania, foi aprovada a proposta do presidente venezuelano Hugo Chávez, de constituição da 5ª Internacional Socialista.

Segundo o jornalista Jacob Blinder, "Hugo Chávez sugeriu a Venezuela para ser sede dessa Internacional, que ela deveria vir acoplada com a criação de uma escola de formação de quadros, e que os participantes não deveriam apenas se… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 23 novembro 2009 às 13:14

Celso lungaretti

Caso Battisti será debatido 3ª feira no Sindicato dos Jornalistas de SP

Serei um dos participantes do debate Cesare morto? CESARE LIVRE!, organizado pelo Comitê de Solidariedade a Cesare Battisti, que terá lugar no auditório do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (rua Rego Freitas, 530 - sobreloja), terça-feira (24), às 18h30.

Aberto aos jornalistas e ao público em geral, o debate será transmitido ao vivo no Passa Palavra (http://passapalavra.info/).

Além do Caso Battisti em si, estará em discussão… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 22 novembro 2009 às 21:22 ‚Äî 1 Comentário

CA Barão

MUROS, MORTOS E MENTIRAS



Muros, mortos e mentiras


“«O adeus ao comunismo? Provocou um milhão de mortos». O título não é duma publicação comunista. É dum jornal do grande capital italiano, o Corriere della Sera (9.11.09), que noticia um estudo de professores de Oxford e Cambridge, publicado na conceituada revista m… Continuar

Postado por CA Barão em 22 novembro 2009 às 11:50

Celso lungaretti

Ovo de Colombo: já não existe motivo para se manter Battisti preso

O inusitado desfecho do julgamento do pedido de extradição italiano no Supremo Tribunal Federal obriga os personagens deste drama a reavaliarem todos os seus planos e linhas de ação. O passado passou. Há uma nova realidade:

- quem decidirá se Battisti vai ser ou não extraditado é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva;

- mas, o presidente Lula só poderá fazê-lo quando receber o acórdão do STF, em 2010;

- o interesse de todos -- e dos brasileiros em geral, por causa da imagem do País perante o… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 21 novembro 2009 às 12:10

Ana Oliveira

Sociedade doente...

Vivemos numa sociedade combativa e provocadora.
Uns vestem a pele do cordeiro, outros optam por sentir mais prazer vestindo a pele do lobo. Uns são predadores e outros, vítimas! Mas esta aparente divisão, não é assim tão linear!
Estas máscaras não passam de etiquetas, porque o ser humano parece orientar-se melhor se colocar letreiros e rótulos na testa de cada um! E assim temos tendência a maquinalmente agir, segundo o papel que nos dão.

Continuar

Postado por Ana Oliveira em 21 novembro 2009 às 4:30

Perimar Moura

Metamorfose

Há pouco passamos dessa, 26 de junho de 2009, o Cultura e Humanismo completou seu primeiro aniversário. Mas considero esse um aniversário diferente. Digo isso pelas características que essa rede cultural de relações apresenta ao longo de sua ainda breve existência. Aqui encontramos um espaço diferente, incomum, inquieto. Muito disso se deve à presença de membros de exímia qualidade intelectual que enriquecem nossas vidas com suas experiências pessoais e por vezes profissionais. Encontramos aqui… Continuar

Postado por Perimar Moura em 27 junho 2009 às 0:25 ‚Äî 4 Comentários

Celso lungaretti

Luta por Battisti passa para outra fase

Vamos esclarecer o que realmente se passou na terceira sessão de julgamento do pedido italiano de extradição de Cesare Battisti.

Como era de esperar-se, alinhou-se com os linchadores o fundador do bloco, o presidente do STF Gilmar Mendes, sem cuja tendenciosidade o caso estaria há muito arquivado.

Por míseros 5x4, o Supremo Tribunal Federal decidiu a extradição de Battisti.

A votação seguinte foi sobre se o Executivo seria automaticamente obrigado a extraditar ou o faria apenas e tão somente… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 19 novembro 2009 às 23:57

Celso lungaretti

STF decide que desperdiçou 10 meses

No primeiro julgamento, o Supremo Tribunal Federal decidiu não respeitar a decisão do Governo Federal, que já concedera refúgio humanitário a Cesare Battisti.

Ao invés de arquivar o processo de extradição italiano, como ditava a Lei do Refúgio e balizava a jurisprudência, resolveu mandar ambas para o espaço e meter o bedelho em prerrogativa do Executivo.

No segundo julgamento, também por 5x4, aprovou o pedido de extradição formulado pelo Governo da Itália.

No terceiro julgamente, ainda por 5x… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 19 novembro 2009 às 10:55

Juliana Cortes de Freitas

Encontros & Redes

Rendi-me a um apelo amigo, mas quem não se renderia?
E penso que perdi tempo, mas não há como voltar atrás
Espero caminhar consciente sem inconsequências por estes caminhos virtuais
E em tempos lavar a alma de sutilezas que aqui haverei de encontrar
De receptividade fiquei admirada, em qualquer www jamais poderia ser melhor adotada
Prefiro criar uma rede de liberdade e reciprocidade com parceiros legítimos
que não façam de suas alcunhas códigos [ Ø < \o/ > ] ou se habilitem a mundos ima
Continuar

Postado por Juliana Cortes de Freitas em 16 novembro 2009 às 14:52 ‚Äî 1 Comentário

Celso lungaretti

Mensagem de um cidadão brasileiro aos ministros do STF

DE: CIDADÃO BRASILEIRO

PARA OS SRS. MINISTROS:
CARLOS BRITTO (gcarlosbritto@stf.gov.br)
CELSO DE MELLO (mcelso@stf.gov.br)
CEZAR PELUSO (carlak@stf.gov.br, macpeluso@stf.gov.br)
DIAS TOFFOLI (gabmtoffoli@stf.jus.br)
ELLEN GRACIE (ellengracie@stf.gov.br)
GILMAR MENDES (mgilmar@stf.gov.br)
RICARDO LEWANDOWSKI (gabinete-lewandowski@stf.gov.br)

C/C DOS SRS. MINISTROS:
CARMEM LÚCIA (clarocha@stf.gov.br,anavt@stf.gov.br)
EROS GRAU (egrau@stf.gov.br, gaberosgrau@stf.gov.br)
JOAQUIM BARBOSA (mjbarbosa… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 16 novembro 2009 às 10:01

Celso lungaretti

Canalha

"É uma dor canalha
Que te dilacera
É um grito que se espalha
Também pudera
Não tarda nem falha
Apenas te espera
Num campo de batalha
É um grito que se espalha
É uma dor
Canalha"
(Walter Franco, "Canalha")

O jornal da ditabranda continua dando repulsiva contribuição ao linchamento judicial e consequente assassinato do escritor Cesare Battisti, que já declarou preferir a morte à desonra de ser entregue como troféu a Silvio Berlusconi.

Seu editorial, no dia da segunda sessão de julgamento do pedi… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 15 novembro 2009 às 15:21

Serena Roberta Souza Borges

NA IGREJA INCLUSIVA CRISTO É GAY


A raça humana é inventiva até a medula quando se trata de explorar a credulidade de seres da própria raça. Sinceramente, parodiando Shakespeare, tem alguma coisa podre no reino. Agora a mais nova idéia é incrementar o imaginário Jesus Cristo ao lado dos gays e das lésbicas do Brasil. Temos uma igreja novaContinuar

Postado por Serena Roberta Souza Borges em 15 novembro 2009 às 12:48

Celso lungaretti

Battisti inicia greve de fome e entrega sua vida nas mãos de Lula

Detido em março de 2007 e mantido em prisão ilegal e arbitrária nos últimos dez meses, com o Supremo Tribunal Federal abusivamente ignorando que o Governo brasileiro já lhe concedeu o direito de viver em liberdade no nosso país, o escritor e perseguido político italiano Cesare Battisti não aguentou mais: entrou nesta sexta-feira (13) em greve de fome, na penitenciária da Papuda (DF).

Por meio do senador José Nery (PSOL/PA), Battisti encaminhou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva carta em qu… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 14 novembro 2009 às 6:02

Celso lungaretti

Battisti vai viver ou morrer no Brasil. Daqui não sairá.

Terminada a segunda sessão do julgamento do pedido de extradição de Cesare Battisti no Supremo Tribunal Federal, batalhões de jornalistas colhiam as impressões dos personagens do Brasil oficial à porta da lei (kafkiana como nunca!), mas quem fazia a melhor avaliação dos acontecimentos era o jovem orador que, com seu megafone, falava a algumas dezenas de outros jovens, localizados a uns 300 metros de distância, no Brasil real:

- Já não existe mais Supremo Tribunal Federal. Isso aí agora é uma de… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 13 novembro 2009 às 6:18

Celso lungaretti

Battisti nega greve de fome e diz estar confiante em vitória no STF

Cesare Battisti não está fazendo greve de fome.

Este é o esclarecimento que o escritor e perseguido político italiano pediu fosse transmitido a todos que o apóiam e à opinião pública em geral, durante visita que lhe fizemos no Centro Penitenciário da Papuda: a ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenelle; o representante da Anistia Internacional dos EUA, Carlos Lungarzo; e eu, dentre outros.

Battisti explicou que a proximidade de uma decisão do Supremo Tribunal Federal acerca do pedido de… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 11 novembro 2009 às 10:47

Regina Gonçalves

ILUSÂO

Ilusão


(Regina Gonçalves)



Continuar

Postado por Regina Gonçalves em 9 novembro 2009 às 8:30

Vanessa Rodrigues

QUEREM-ME ASSIM


Querem de mim,
Sorrisos e demagogias,
Como se minha beleza incontida
Não rimasse com tristezas.
Querem que eu exale a leveza
De quem pisa florida na vida,
Como se a inverdade colhida
Fosse
Continuar

Postado por Vanessa Rodrigues em 8 novembro 2009 às 18:54

Celso lungaretti

Nova vítima do Caso Battisti: Eliane Cantanhêde morre para o jornalismo

Com imenso pesar, comunico a morte jornalística de Eliane Cantanhêde, que, com sua coluna de 08/11 na Folha de S. Paulo ("O Julgamento" - http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0811200904.htm), somou-se à horda de linchadores midiáticos empenhados em fazer prevalecer a posição italiana no Caso Battisti.

Seu texto é uma mal disfarçada tentativa de influenciar um acontecimento, ao invés de apresentar aos leitores um quadr… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 8 novembro 2009 às 18:00

Celso lungaretti

Mino Carta x Caso Battisti: miados impotentes de um leão desdentado

Antevendo a derrota da cruzada rancorosa e mesquinha que moveu contra o escritor e perseguido político Cesare Battisti, o jornalista Mino Carta, do alto de sua olímpica arrogância, nem esperou o final do julgamento no Supremo Tribunal Federal para atribui-la a "um assustador grau de ignorância" de "setores importantes, ou tidos como tais, da política, da cultura, do jornalismo", "impróprio em um país que aspira à contemporaneidade do mundo".

Depois de sair do próprio blogue porque os internauta… Continuar

Postado por Celso lungaretti em 7 novembro 2009 às 12:57

 
 

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Rafael Rocha Rafael Rocha criou esta rede social no Ning.

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NO TOP 30 do mês de OUTUBRO/2009 ficamos em 3º lugar com 859 votos. Continuamos a ser - sem sombras de dúvidas - uma das mais populares redes culturais do Brasil.Vamos agora para o TOP 30 do mês de NOVEMBRO. A votação já começou.
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REGRAS BÁSICAS

CULTURA & HUMANISMO é a pátria dos livres pensadores. É o torrão natal dos que lutam pelas mudanças e a favor da liberdade da raça humana. CULTURA & HUMANISMO não tem religião e muito menos é a favor de quaisquer delas. CULTURA & HUMANISMO não abre espaço para difundir ideias e dogmas religiosos e os chamados ditos espirituais. Quem pretender divulgar temas a favor de determinado tipo de crença ou pretender fazer proselitismo perderá seu tempo e lugar na rede. CULTURA & HUMANISMO não é o espaço adequado para tratar desse tipo de assunto.
1 - Criação de grupos - A criação de grupos de discussão deve obedecer ao espírito de C&H. Análise aberta e completa do assunto em pauta no texto de abertura. Debates, discussões, criação de tópicos de discussão, envolvimento no tema; CULTURA & HUMANISMO espera que os membros dos grupos e da rede atuem com ideias próprias. Textos copiados de outros sites não são bem-vindos; 2 - Não serão permitidas propagandas religiosas, políticas, administrativas (de grupos turísticos, religiosos, esportivos, musicais), bem como de autopromoção dos membros, com publicidade de outros sites, blogs e/ou redes em C&H. No caso de livros, o gestor da rede é quem dará o aval; 3 - CULTURA & HUMANISMO não aceita membros que não coloquem foto pessoal no perfil. As fotos para os albuns deverão ser devidamente tituladas e legendadas. Caso contrário serão deletadas; 4 - Não aceitaremos vídeos publicitários de nenhuma espécie; e muito menos vídeos com conteúdo pornográfico; 5 - Não aceitamos fotos pessoais, de amigos, parentes etc; Para isso existe o orkut; 6 - Os vídeos também deverão ter uma justificativa plausível para serem divulgados (ou seja, devem ser legendados e titulados); 7 - Os textos enviados para os blogs só serão publicados nesta página principal se estiverem grafados corretamente como manda a gramática da nossa língua portuguesa, bem como na estética usual entre letras maiúsculas e minúsculas e que o tema do texto esteja a seguir a linha editorial do site. inclusive vídeos e fotos. Solicitamos aos autores que façam a devida revisão gramatical antes de postar definitivamente os textos. CULTURA & HUMANISMO valoriza a lingua-mãe. Textos em português incorreto serão sumariamente deletados
REGRA ESPECIAL - A partir de 23/10/2009, visando maior integração entre os membros da rede, e por saber que a grande maioria não possui erudição em línguas estrangeiras, os textos enviados para a página principal de CULTURA & HUMANISMO e para a abertura de grupos ou debates incentivados devem ser redigidos na língua portuguesa. Textos em outras línguas - inglês, francês, alemão, italiano, espanhol etc - podem continuar sendo postados, desde que tragam a tradução equivalente (em português) no mesmo espaço, relevando aqueles cuja densidade cultural tenham de se manter na lingua original. Espero a compreensão de todos os membros para esta regra e também que ela seja seguida. Agradeço a atenção. Rafael Rocha (gestor)

Palavra Rocha

O ESPELHO DA ALMA JANELA


No mês de dezembro de 2009 estarei lançando meu livro O ESPELHO DA ALMA JANELA E OUTROS CONTOS. A data ainda está para ser confirmada. Espero a presença de todos os meus amigos e simpatizantes.

NOSFERATU EM CINCO



Busco o segredo desenhado sob o solo
De fantástico desejo recorrente
Asas negras escurecem o sol do pólo
Terremotos nas terras do Ocidente

Fera negra meu corpo anda a voejar
No olho de furacões desabridos
Ser notívago de costume tumular
Espaços frios e ainda não sabidos.

Sou anti-herói desse ar medonho
Onde a dor é mais que simples sonho
Onde moram os vampiros e zumbis

E durmo louco no escuro sarcófago
A mastigar um verso antropófago
Querendo sangue como jamais eu quis.

***********

E pela parca amplidão da noite escura
Nas velhas esquinas sujas da província
Uma carne feminina faz-se pura
E seu cheiro me enlaça em serpentina

Veias azuis a pedir os meus caninos
A enterrarem-se no macio pescoço
Desatinadas animam meu destino
Acordo de minha tumba em alvoroço

O manto negro se abre em longas asas
E vôo célere adejando sobre as casas
Sôfrega sede a pelejar como um tormento

Até descobri-la nua e esplêndida e bela
Oferecendo-me no parapeito da janela
O sangue rubro pra aplacar meu sofrimento.

***********

E faço-a minha! A minha vamp eternizada!
Guardo-a bela na tumba e no negrume
Levo-a em vôos noturnos transformada
Em Nosferatu companheira do meu lume

Nas vielas busco sangue para sua fome
Apartar e tê-la sempre minha escrava
Sussurrando aos seus ouvidos o meu nome
E sugando em todo dia a sua veia cava

Em vôos noturnos somos negras feras
Escondidas pelas deusas das quimeras
E ninguém sabe nosso lugar medonho

E os humanos são alimentos finos
Sangue puro a escorrer pelos caninos
E a nos trazer paixão a outro sonho.

***********

Sangue é a vida para a nossa eternidade
Fonte deliciosa nosso vício a alimentar
Sangue é o vinho a embebedar a liberdade
E a sede e o suplício da morte assassinar.

Voa pela cidade, amada de vida noturna!
Suga dos corpos puros este anseio de razão
Retorna para mim antes do vir a luz diurna
E dá-me a conta-gotas o líquido da paixão.

Depois, cubro sua carne com o negro manto
E no sibilar de rasgar a epiderme eu canto
Melodias funéreas a ressoar na pele imortal

E na lúgubre laje do nosso tumular sarcófago
Eu e você faremos nosso amor xifópago
A usufruir de cada um o sangue seminal.

***********

E se tivermos de reinar na imortalidade escura
No deserto fúnebre das trevas e das fossas
Não esqueça que poderei aglutinar a loucura
Ser vampiro e amante mesmo que não possas

Fugir do destino de ser toda sangue e medo
E serpente a deslizar nas alfombras de mim
Cuidado com a cruz daquele homem tredo
Cantor da morte extrema como salvação e fim.

Estaremos unidos em nossa eterna juventude
E imortais seremos em afago e atitude
E de nossa negridão espalharemos esse amor.

Sugando o sangue das almas interesseiras
Reviveremos as transilvânias guerreiras
E reinaremos apesar do medo e do pavor.
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© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife

CRIANÇAS GLOBAIS


Nas esquinas e nos semáforos
Lá estão todos eles
Nos esgotos abertos das ruas
Estão vivendo todos eles
Correndo em bandos nas avenidas
Lá vão todos eles
Vendendo chicletes, chocolates,
A tentar limpar pára-brisas...

O mundo deles não é teu nem meu
Nós os vemos de dentro do carro
Ou no jornal nacional global
Ou escrevendo na internet
Ou aos domingos ou às quartas
Ou nos sábados e sextas-feiras
Em todas noites loucas dessas...

Eu os vejo fumando crack
Nos cantos escuros dos prédios
Ao sair hipnotizado do cinema
Ou de uma livraria com livros
Ligados às questões sociais
E quando em casa bebo uma cerveja
Escutando um rock ou Maria Betânia...

Eu os vejo todos em retratos
E lá vão eles em bandos na busca
De uma vida por um trocado
De um sonho por um espaço
De jornais para serem lençóis
E mais ninguém olha para eles
Parecem viver noutra dimensão...

Nem a mulher saindo da igreja
Rindo pelos pecados apagados
Livro negro no sovaco os olha
Tem medo de ter pena e sentir
Que seu deus é um merda
Seus evangelhos são vômitos
Para encher cofres de ouro...

Lá estão eles e todos vivem
Catando o lixo na busca faminta
De um pão duro ou um osso
De chupeta nos lábios e ainda
Conseguem sorrir e ter alegria
Para brincar nas calçadas sujas
E continuar sendo sempre
Meninos e meninas globais.
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© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife

NOVOS RUMOS


Tempo de chumbo e quartelada
Homens encapuzados de vigia.
Mestres ensinando a lição errada:
“Fardados são a nossa salvação”.
Passei gritando todo esse tempo
E eles permanecem roubando
Ainda hoje todo o possível futuro.
As fardas ainda fazem procissão
E profissão de fé nos morticínios.

Passei raspando e por um triz...
Mãe, quase morro! E perdi o trem!
Na estação dos anos de chumbo
Permanecem resquícios fumarentos
Das fardas torturantes e esquivas
A matar os verões e as primaveras.
O trem ligeiro passou na estação.
Eles se esconderam em sobretudos
De inocentes e salvadores da pátria.

Agora estão rindo em dosséis de ouro.
Eles que me fizeram ser o que sou hoje.
Eles que fizeram o trem correr demais.
E nem dizem os nomes dos mortos
Pela minha glória e salvação terrena.
E nem pedem os perdões precisos
Às viúvas e aos filhos chorosos das vidas
E de tantos trens perdidos
Pelas estações de nosso antanho.

Ah, meu pai! Espero por outro trem
Sem fumaça e sem ter os fardados.
Ah, minha mãe! Espero outro trem
Para visitar tua terra de flores
E dizer aos nossos pobres mortos
Como existem vivos lutando a vida.
Vivos a buscar a essência deles todos.
Vivos, meu pai! Vivos, minha mãe!
Prontos para novos rumos, novas lutas.
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© Copyright by Rafael Rocha Neto, Recife

O PENSAMENTO PRIMITIVO AINDA EXISTE NO SÉCULO 21


Apesar de dono de um cérebro superior ao dos outros animais, o ser humano tende a se manter apegado ao ideário primata, ao pensamento primitivo, sem perceber a peça que lhe prega o próprio intelecto. Temos habilidades que os outros seres não possuem, mas perdemos algumas que eles mantêm, e, por conta disso, somos impedidos de aproveitar melhor a nossa vida. O que chega a ser cômico é o nosso mundo civilizado achar que suas superstições são mais razoáveis do que as dos silvícolas.

Não temos um olfato que nos capacite a perseguir um inimigo como faz o cachorro; nem somos capazes de dar a volta ao mundo sem bons conhecimentos geográficos e bússolas como fazem algumas aves. Para vencer a resistência do ar, criamos máquinas adequadas, enquanto os pássaros voam com seus próprios membros. Todavia, donos de tantos inventos para superar as nossas deficiências perante os animais inferiores, ainda acreditamos que nossos instintos de sobrevivência sejam tentações de algum diabo. Acreditamos que anjos da guarda nos protegem. Cremos que se satisfizermos nossos desejos e instintos seremos enviados para um lago de fogo, o inferno, onde iremos arder eternamente. Tudo isso por obra de um deus onipotente, o qual, ainda que submeta suas criaturas a um castigo infinito e interminável, continua a ser considerado perfeito, justo e bom.

Lembro de uma reportagem apresentada pelo programa Globo Repórter em que os índios amazônicos praticavam rituais nos quais acreditavam ter poder de afugentar os maus espíritos das florestas. Aos olhos de um cristão deste século 21, essas práticas místicas dos indígenas não são mais do que fruto de seu primitivismo, pois espíritos das florestas não existem, são coisas imaginárias criadas pela fértil imaginação dos índios. Concordo com os cristãos crentes e católicos civilizados. Concordo! Espíritos das florestas são criações da imaginação inculta. Porém, agora eu pergunto: os cristãos deste século 21 e que se dizem cultos têm alguma prova da existência de outras entidades sobrenaturais? Se não há qualquer fundamento para se acreditar na existência dos espíritos da floresta, existe alguma base mais sólida do que a imaginação para crer na existência dos anjos da guarda? E no diabo? E no deus cristão? Alguém já viu o diabo? Jamais encontrei qualquer indício desses seres imaginados. Concluo, portanto, que nenhum cristão tem mais razão do que os índios.

Quando o homem criou, em épocas remotas, a crença de possuir uma alma imaterial e independente do corpo, buscava explicar o sonho. Só isso. Os nossos antepassados mais antigos não perceberam que se os sonhos fossem atos de supostos espíritos, cada vez que alguém sonhasse com uma pessoa essa pessoa teria inevitavelmente o mesmo sonho. Mas isso não acontece. Se os antigos habitantes da Terra interpretavam os trovões e os ecos das próprias vozes como as vozes dos deuses, mostravam apenas que não conheciam os fenômenos naturais. As pessoas com deficiência mental, os loucos melhor dizendo, eram consideradas endemoninhados (possuídos pelos demônios), porque faltava aos nossos antepassados uma melhor compreensão do complexo mecanismo cerebral.

Nos dias atuais, quando todos esses mistérios já deixaram de ser mistérios, ainda se fala, apoiando-se na tese de Santo Agostinho, que tais coisas complexas da natureza não podem ter nascido por acaso. E ainda se diz que isso é prova suficiente da existência de um criador supremo. Conheci esse argumento quando era criança. Mas o meu cérebro infantil conseguiu a capacidade de entender como essa premissa é inútil. Pensei assim: de onde não pode provir o simples pode surgir o complexo? Se do acaso não pode surgir a criatura, poderia dele surgir o criador supremo? Se todas essas coisas só podem ter sido feitas por um poderoso e sábio criador, esse criador deve ter sido criado por outro superior a ele. Consequentemente, o criador do criador também teria que ter seu criador, e este o seu, em uma corrente infinita, um círculo vicioso que jamais acabaria. E o mais interessante, se pode existir um “criador incriado”, por que coisas simples da natureza não podem existir sem um ente criador?

Convenhamos, a evolução dos seres vivos é inegável. Isso nós percebemos na modificação dos vírus e bactérias e no desenvolvimento de novos tipos de resistência, tal como ocorre nos insetos. Se os fósseis encontrados pelos arqueólogos apresentam organismos tão mais simples quanto mais distantes estiverem no tempo, não há como continuarmos apegados à idéia de que tudo foi criado por um deus onipotente há seis mil anos, cada um segundo a sua espécie.

Sabe-se que antigamente a chamada palavra de deus afirmava que o sol percorre o céu, “de uma a outra extremidade do céu vai o seu caminho”; que as estrelas cairão do firmamento "pela terra como a figueira, quando abalada pelo vento forte, lança seus figos verdes". Hoje percebemos e sabemos que o sol é apenas uma estrela com alguns planetas a circular em torno dele, entre eles a Terra. Sabemos que as estrelas são milhares e milhões de vezes maiores do que a Terra, sendo impossível que caiam sobre ela. Dessa forma só podemos concluir que essa palavra tão venerada que chama de deus, não passa de uma idéia humana nascida numa época muito antiga. Portanto, cristãos, muçulmanos, judeus ou quaisquer outros, não têm mais razão do que os selvagens que acreditam nos chamados espíritos das florestas. Infelizmente, o pensamento primitivo continua ditando as regras para as mentes da maioria das pessoas. E em pleno século 21.
 

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