Nesta rede o homem está conectado à cultura do mundo
CULTURA & HUMANISMO é um espaço cultural aberto para os livres pensadores. Estudantes, professores, advogados, jornalistas, músicos, artistas plásticos, poetas, escritores, pesquisadores, fotógrafos, esportistas e os que buscam conhecer assuntos culturais e ligados à história do homem no mundo. Cada internauta aqui registrado é um produtor de conteúdo, seja de textos, fotos, músicas, análises literárias, temas históricos etc.
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Iniciado por Ricardo Augusto Bezerra Tiné. Última resposta de Rosilene Rocha dos Santos 16 Jul, 2010. 9 Respostas 0 Curtiram isto
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Iniciado por Celso lungaretti. Última resposta de Thatiane Curley 1 Dez, 2010. 8 Respostas 0 Curtiram isto
Iniciado por Anne Christine. Última resposta de António Joaquim Simões Casado 9 Nov, 2010. 8 Respostas 0 Curtiram isto
Iniciado por Wladimir Gomide. Última resposta de Wladimir Gomide 21 Abr, 2011. 6 Respostas 0 Curtiram isto
Iniciado por Rafael Rocha. Última resposta de João Barcellos 3 Out, 2009. 6 Respostas 0 Curtiram isto
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Iniciado por Ricardo Augusto Bezerra Tiné. Última resposta de Ricardo Augusto Bezerra Tiné 21 Ago, 2010. 4 Respostas 0 Curtiram isto
Iniciado por Julieta Ferreira. Última resposta de Julieta Ferreira 18 Set, 2009. 4 Respostas 0 Curtiram isto
Iniciado por Rafael Rocha. Última resposta de Maria Celeste Raposo 25 Out, 2009. 4 Respostas 0 Curtiram isto
Iniciado por António Joaquim Simões Casado. Última resposta de Aline cerqueira 9 Jan, 2011. 3 Respostas 0 Curtiram isto
Iniciado por Ricardo Augusto Bezerra Tiné. Última resposta de Valdeci Ferraz 3 Set, 2010. 3 Respostas 0 Curtiram isto
Iniciado por Ivy Gomide. Última resposta de Ivy Gomide 9 Ago, 2010. 3 Respostas 0 Curtiram isto
Camaradas:
Vem à baila aqui neste espaço uma crítica a uma frase de triste construção postada no Facebook. Uma mulher chamou a filosofia de primitivismo. Estudar filosofia é primitivismo, segundo ela. Mas uma vez comprovei o quanto existe de ignorância nesse espaço internético. E, mais ainda, que o Facebook está a se transformar em um novo Orkut, englobando gente que se idiotiza a si mesma e que pretende idiotizar aos outros.
A pessoa que alcunhou a filosofia como primitivismo não gostou nada de saber da possível existência de uma igreja denominada Assembléia de Zeus (uma simples brincadeira dentro do Face), onde se diz interagir através da filosofia socrática. Tal pessoa não possui discernimento nenhum sobre o fato de que primitivismo mesmo tem ligação direta e real com as religiões organizadas – católica, evangélica, espírita e outras que pregam a ilusão da existência de um deus único e verdadeiro. Isso é que é primitivismo.
A filosofia não vende nenhum deus como as religiões acima relacionadas. A filosofia não cria nenhum deus, filho unigênito, virgem santa, espírito santo, nem se prende a bíblias ou congêneres. E muito menos busca enriquecer à custa do povo. A filosofia é a arte de pensar, coisa em falta no mundo de hoje. Façamos como Sócrates, camaradas, e perguntemos. Questionemos. Devemos mesmo questionar tudo. “O que é isso?” Sócrates jamais se contentou com as opiniões estabelecidas, com os preconceitos de sua sociedade e com as crenças mantidas inquestionáveis pelos seus conterrâneos. Na realidade, Sócrates desconfiava das aparências e procurava a verdade das coisas.
Sim, camaradas, o mundo está a precisar de pensadores. O mundo precisa sair da mediocridade e das asneiras criadas por tantas religiões. O mundo precisa exercitar o livre pensar, principalmente, nós, brasileiros, que vivemos mergulhados num oceano de imoralidades, de políticos antiéticos e sofremos com a falta de uma educação humanista e filosófica. O Brasil jamais será um país civilizado se não exercitar a filosofia. Pensar nos leva a conquistar a liberdade de todas as amarras e subserviências. Pensar ajuda a se libertar dos preconceitos e das discriminações.
Portanto, camaradas, façamos como Sócrates. Auxiliemos as pessoas a libertarem suas mentes das meras aparências. Que elas direcionem seus cérebros na busca da verdade, mas também na busca do conhecimento interior: “Conhece-te a ti mesmo!”. Nessa linha de raciocínio, Sócrates mostrou como era importante a atitude crítica. Disse, e isso é muito necessário para nosso entendimento, que só estaremos aptos a conhecer a verdade, sendo críticos de nós mesmos, reconhecendo nossa ignorância: “Só sei que nada sei”. Desse ponto chega-se à conclusão que a filosofia está voltada para os momentos e situações críticas.
Dessa forma, seguindo os princípios da filosofia socrática, voltemos nossos pensamentos para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, das ideias, das crenças, dos valores. Preocupemo-nos com as questões morais e políticas. E mais: o ponto de partida da filosofia é a confiança no pensamento ou no homem como um ser racional, capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão. Como se trata de conhecer a capacidade de conhecimento do homem, a preocupação se volta para estabelecer procedimentos que nos garantam que encontramos a verdade, isto é, o pensamento deve oferecer a si mesmo caminhos próprios, critérios próprios e meios próprios para saber o que é o verdadeiro e como alcançar a verdade em tudo o que investigamos.
Abraços e PAZ

É um drama romântico que gira em torno do amor eterno. A história conta a trajetória de um homem que, depois de 10 anos, volta a sentir a presença de sua amada. O drama começa nos anos 70. Sarah Williams (Jennifer Connely) é uma ativista idealista que conhece o jovem oficial da Guarda Costeira Fielding Pierce (Billy Crudup). Eles se apaixonam apesar das múltiplas diferenças entre eles, mas Sarah Williams, a jovem que contesta o sistema vigente no ano rebelde de 1972, morre numa explosão de bomba causada por terroristas. Dez anos se passam. Fielding Pierce torna-se promotor e vive em Chicago com sua namorada da alta sociedade americana, Juliet Beck. Então, o governador escolhe Fielding como candidato às eleições para uma das cadeiras do Congresso. Brevemente ele poderá realizar os seus sonhos, exceto seu amor perdido, do qual nunca esquecera. Repentinamente, Fielding começa a ter visões de sua amada e até a acreditar que ela está viva. Ele se sente consumido pelas lembranças e, em seguida, pelas visões de Sarah. A irmã de Fielding, Caroline Pierce, tenta ajudá-lo profissional e pessoalmente, mas sua vida começa a desmoronar. Será que ele está perdendo sua sanidade mental ou será que Sara está realmente viva? O passado retorna ao presente, Fielding luta para concentrar-se no que era e naquilo que é, mas, as imagens de Sara deixam-no confuso sobre a sua existência e o seu amor. Este filme aborda a questão do amor e das dificuldades comuns nos relacionamentos. Trata do sentimento do amor em seu modo transcendental. Envolve o espectador de forma inteligente e sensível, trazendo reflexões a respeito do tema mais importante, o amor.

Ver Editoriais anteriores em:http://culturahumana.ning.com/profiles/blogs/editoriais-da-rede-6-1?xg_source=activity
http://culturahumana.ning.com/profiles/blogs/editoriais-da-rede-5
http://culturahumana.ning.com/profiles/blogs/editoriais-da-rede-4
http://culturahumana.ning.com/profiles/blogs/antigos-editoriais-da-rede-1?xg_source=activity
http://culturahumana.ning.com/profiles/blogs/antigos-editoriais-da-rede-2?xg_source=activity
http://culturahumana.ning.com/profiles/blogs/antigos-editoriais-da-rede-3?xg_source=activity
CULTURA & HUMANISMO é a pátria dos livres pensadores. É o torrão natal dos que lutam pelas mudanças e a favor da liberdade da raça humana. CULTURA & HUMANISMO não tem religião e muito menos é a favor de quaisquer delas. CULTURA & HUMANISMO não abre espaço para difundir ideias e dogmas religiosos e os chamados ditos espirituais. Quem pretender divulgar temas a favor de determinado tipo de crença ou pretender fazer proselitismo perderá seu tempo e lugar na rede. CULTURA & HUMANISMO não é o espaço adequado para tratar desse tipo de assunto. O pilar maior da nossa filosofia está inserido na proclamação humanista: “Nada acima do ser humano, e nenhum ser humano abaixo de outro.” O humanista não fundamenta sua visão de mundo na fé.
1 - CRIAÇÃO DE GRUPOS - A criação de grupos de discussão deve obedecer ao espírito de C&H. Análise aberta e completa do assunto em pauta no texto de abertura. Debates, discussões, criação de tópicos de discussão, envolvimento no tema; CULTURA & HUMANISMO espera que os membros dos grupos e da rede atuem com ideias próprias. Textos copiados de outros sites não são bem-vindos.
2 - Não serão permitidas propagandas religiosas, políticas, administrativas (de grupos turísticos, religiosos, esportivos, musicais), bem como de autopromoção dos membros, com publicidade de outros sites, blogs e/ou redes em C&H. No caso de livros, o gestor da rede é quem dará o aval.
3 - CULTURA & HUMANISMO não aceita membros que não coloquem foto pessoal no perfil. As fotos para os albuns deverão ser devidamente tituladas e legendadas. Caso contrário serão deletadas.
4 - Não aceitaremos vídeos publicitários de nenhuma espécie; e muito menos vídeos com conteúdo pornográfico.
5 - Não aceitamos fotos pessoais, de amigos, parentes etc; Para isso existem o facebook, o badoo, o hi5, o orkut e correlatos.
6 - Os vídeos também deverão ter uma justificativa plausível para serem divulgados (ou seja, devem ser legendados e titulados).
7 - Os textos enviados para os blogs só serão publicados nesta página principal se estiverem grafados corretamente como manda a gramática da nossa língua portuguesa, bem como na estética usual entre letras maiúsculas e minúsculas e que o tema do texto esteja a seguir a linha editorial do site. inclusive vídeos e fotos. Solicitamos aos autores que façam a devida revisão gramatical antes de postar definitivamente os textos. CULTURA & HUMANISMO valoriza a lingua-mãe. Textos em português incorreto serão sumariamente deletados.
8 - REGRA ESPECIAL - Visando maior integração entre os membros da rede, e por saber que a grande maioria não possui erudição em línguas estrangeiras, os textos enviados para a página principal de CULTURA & HUMANISMO e para a abertura de grupos ou debates incentivados devem ser redigidos na língua portuguesa. Textos em outras línguas - inglês, francês, alemão, italiano, espanhol etc - podem continuar sendo postados, desde que tragam a tradução equivalente (em português) no mesmo espaço, relevando aqueles cuja densidade cultural tenham de se manter na língua original. Espero a compreensão de todos os membros para esta regra e também que ela seja seguida.
9 - NOVOS MEMBROS – CULTURA & HUMANISMO, visando mais segurança, a partir de janeiro de 2011 só aceita novos membros através de convite enviado pelos administradores e por alguns membros mais antigos e ativos da rede, desde que, quando do ingresso ou dentro de 48 horas após o ingresso ser aprovado, façam a postagem de uma crítica específica no seu blog pessoal. Tudo isso seguindo a filosofia da rede. CULTURA & HUMANISMO busca ativistas polêmicos e atuantes. O membro que passar dois meses sem atuar na rede é suspenso por tempo indeterminado. O tema a ser tratado estará inserido pelo administrador nas perguntas que são feitas quando da inscrição. Todo novo membro deve lembrar que foto pessoal no perfil é obrigatória. Bem como que a língua portuguesa é a língua básica da rede.
10 – As colaborações nos grupos existentes, CASO SEJAM MUITO RESUMIDAS, podem ser inseridas no campo COMENTÁRIOS. A criação de tópicos de discussão só deve ocorrer se o assunto for bem desenvolvido e com dados consistentes, assinalando a fonte e a bibliografia. Nos tópicos de discussão não aceitamos colaborações simplificadas. A estética de C&H é prolixa.
11 – O administrador e criador de CULTURA & HUMANISMO tem toda liberdade para negar ingresso a membros que não considere coerentes com a filosofia da rede, bem como de banir qualquer um que esteja indo de encontro a essa filosofia.
12 – A inserção de fotos deve ser feita com o devido cuidado. Nem grande demais nem pequena demais. A foto deve ter entre 300 x 300 ou 400 x 400 pixels.
13 – O membro deve levar em consideração mais o seguinte: C&H tem espaço para fotos e para criação de álbuns próprios pelos membros. Tal espaço também deve seguir uma estética e e também se imbuir da filosofia editorial da rede. A foto tem de possuir TITULO e LEGENDA explicando o seu conteúdo. Título da foto e de qualquer outro tema tem de ser perfeitamente inserido na linha correspondente. O membro deve tomar cuidado para o título não repetir a primeira linha do texto que vem a seguir. O título tem espaço próprio na sua área de edição do texto. CULTURA & HUMANISMO não aceita de seus membros a inserção em suas páginas de fotos pessoais, de amigos, familiares e afins. As fotos têm de ser exclusivamente culturais, de paisagens, museus, cidades históricas e até mesmo da cidade habitat do membro sempre com colocações do título e da legenda específica. Postagem de vídeos também segue o mesmo estilo da postagem de fotos.
14 – Todo membro tem seu blog e sua página particular. Sugerimos que apesar da particularidade do blog e da página particular que ambos siga as regras da rede para não sofrerem sanções administrativas.
15 – O membro deve sempre antes de entrar em sua página fazer uma leitura da página principal. É nessa página que as principais ações diárias de C&H são apresentadas. Principalmente o EDITORIAL DA REDE. Na coluna ÚLTIMAS ATIVIDADES o membro verá os últimos entrelaçamentos entre a rede e os demais integrantes. e as colaborações de alguns membros especiais.
16 – O ingresso nos grupos é livre e de acordo com a identificação do membro com quaisquer deles. O administrador poderá enviar convite para ingresso nos grupos e o membro poderá aceitar ou não.
IMPORTANTE: C&H sempre estará enviando AVISOS, MENSAGENS e outras coisas do gênero para os e-mails de seus membros. Todos devem ficar cientes disso logo que ingressarem. Leiam as mensagens e depois as apaguem para que suas caixas de e-mails não fiquem superlotadas. NÃO BLOQUEIEM E-MAILS ENVIADOS POR CULTURA & HUMANISMO. Caso haja bloqueio FICA NÍTIDA a intenção de não tomar conhecimento do que se passa na rede e isso quer dizer FALTA DE INTERESSE em participar dela.
Agradeço a atenção.
Rafael Rocha (criador da rede e administrador)
Postado por antonio carlos gomes em 17 maio 2012 às 13:30 0 Comentários 0 Curtiram isto
Na adolescência tinha três sonhos. Um realizável a qualquer hora: era conhecer Paris; desinteressei-me no caminho, mas pode ser que ainda resolva ir. Outro seria procurar o Mestre no Himalaia, atualmente impossível, por falta de preparo físico. O terceiro é andar no Expresso do Oriente. Este sonho continua se metamorfoseando em minha mente, sempre presente e atual.
A fantasia envolve esta linha que não sabemos o trajeto, numa paisagem que desconhecemos, com funcionários de bordo sempre enigmáticos e passageiros de todos os tipos, desde mulheres linda e apaixonada, a ladrões de carteira amores e bagagens, espiões, policiais e as tramas formam-se no trem, quando anda correndo as estepes desconhecidas, acompanhados de Mongóis primitivos, em seus cavalos velozes prontos a fazer justiça em seu território.
Tanto na realidade, como na ficção dezenas de filmes e noticias foram relatados, e neles cada vez mais minha imaginação viajava pelas estepes.
Do louco amor pela mulher encantadora que abandonara o marido e o suicídio deste após uma violenta depressão, seguida de descontrole.
O aventureiro com pouco dinheiro que teve sua carteira roubada e, se tornou serviçal para poder comer. O espião que buscava o segredo que o inimigo levava e lutou com todos os riscos para cumprir sua missão. O governante que levava um grupo, em assembleia, para decidir leis que protegessem a população. Tudo, com o chefe de trem atento e controlando com discrição, não interferindo nos amores e nas dores de seus viajantes, mas firme decidindo a solução final.…
ContinuarPostado por Rafael Rocha em 16 maio 2012 às 13:33 0 Comentários 0 Curtiram isto
Texto do filósofo Henry David Thoreau
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Considero saudável estar só na maior parte do tempo. Estar acompanhado, mesmo pelos melhores, cedo se torna enfadonho e dispersivo. Adoro estar só. Nunca encontrei um companheiro tão sociável como a solidão. Estamos geralmente mais sós quando viajamos com outros homens do que quando permanecemos nos nossos aposentos. Um homem quando pensa ou trabalha está sempre só, deixai-o pois estar onde ele deseja. A solidão não é medida pelas milhas de espaço que separam um homem e os seus congêneres.
O estudante verdadeiramente diligente de um dos enxames da Universidade de Cambridge está tão solitário como um derviche no deserto. O agricultor pode trabalhar sozinho no campo ou nos bosques durante todo o dia, mondando ou podando, e não se sentir solitário porque está ocupado; mas quando chega a casa, à noite, não consegue sentar-se numa sala sozinho, à mercê dos seus pensamentos. Tem que ir onde possa “estar com as pessoas”, distrair-se e ser compensado pela solidão do seu dia; e, assim, interroga-se como pode o estudante estar só em casa durante toda a noite e grande parte do dia sem se aborrecer ou sentir-se deprimido. Mas ele não entende que o estudante, se bem que em casa, ainda está a trabalhar no seu campo, a podar os seus bosques, tal como o agricultor o faz nos seus e que, por seu turno, procura a mesma diversão e companhia que este, embora eventualmente de uma forma mais condensada.…
ContinuarPostado por antonio carlos gomes em 15 maio 2012 às 15:30 0 Comentários 0 Curtiram isto
Entre a lua se pôr e o sol nascer, no pico da serra, bem na nascente do riacho brilhava uma luz que brotava do chão ao lado da água, cercado dos frutos do ingá que atraiam os peixes, esquilos e outros animais. Nesta hora o Bem-te-vi anunciava o dia e o sabiá contava a triste história do mundo. Os dois moravam no ingazeiro.
Na casa humilde de madeira Juca olhava toda manhã a luz fantástica que anunciava o dia e, fazia sua louvação à natureza.
O filho João queria buscar a pedra da luz e Juca nunca deixou-: Lá nasceu. Lá é sua morada, dizia.
Jucá adoeceu, era velho, adoeceu de morte, João e Ritinha, mocinha e mimosa, neta do caboclo oravam. Os homens da capital vieram mais uma vez tentar comprar a pedra brilhante da propriedade, que Juca nunca vendeu. Falaram que pagariam à vista, muito dinheiro. Daria para chamar um médico para ver o doente, comprar um pequeno trator e arado para o roçado, um vestido, panelas novas e roupas para João e a filha.
Pensando no trator, chamou o médico que disse o esperado:- O velho vai morrer. Tinha vendido a pedra.
O enterro não foi a pé com os vizinhos de toda vida levando o caixão do companheiro e, rezando a ladainha de despedida. O único esforço foi pôr o caixão no trator, João cuidando para não sujar a roupa nova. Seguiram ao cemitério, sem esforço e sem reza.
Neste dia o sabiá calou e o bem-te-vi não cantou, dizem.…
ContinuarPostado por antonio carlos gomes em 14 maio 2012 às 23:00 0 Comentários 0 Curtiram isto
Em um artigo hoje em El Pais, assinado por Alejandro Rebossio, correspondente do jornal, na cidade de Buenos Aires, encontramos um dado do BID [Banco Interamericano de Desenvolvimento] que um terço da população da América Latina e do Caribe apresenta condições precárias de moradias [barracos, sem água e esgoto]. Este dado deve orientar a os futuros investimentos para a região.
O dado por si só é preocupante e gravíssimo, e vem se repetindo ano a ano, com pouca melhoria.
Do ponto de vista de doenças infecciosas e alimentares é fator real desencadeante de graves problemas de saúde. Mas, não há nenhum estudo do impacto psicológico em tal levantamento.
Apesar de dados isolados não serem confiáveis a um todo, o que se percebe na clinica diária é que além destes dados, tem que se levar em conta a saúde social e consequentemente psicológica da população. Os dados do BID, por se destinar a investimentos econômicos, [financiamentos], quase nada observa.
Ontem foi o Dia das Mães. Conversávamos entre amigos sobre o numero exagerado de pessoas que passaram o dia sozinho. Sabemos que em datas especiais, como esta, o isolamento social é fator agravante de depressões e neuroses variadas. O isolamento social, no caso da pessoa sentir-se sem apoio em determinado dia especial, vai atuar como fator de rejeição ou abandono social, o que é muito grave. Este dado não é abrangido pelo índice.
O que podemos notar, é que a sociedade [no caso Litoral…
ContinuarPostado por Celso lungaretti em 8 maio 2012 às 18:22 0 Comentários 0 Curtiram isto
Momento da detenção, em |
Ele foi toi um dos principais torturadores da PE da Vila Militar (RJ), unidade na qual morreu assassinado, no final de 1969, o militante Chael Charles Schreier, 23 anos, companheiro de Dilma Rousseff na VAR-Palmares.
Ele é citado nos testemunhos de outros presos como autor de alguns dos chute e pontapés que causaram a morte de Schreier por “contusão abdominal com rupturas do mesocólon transverso e mesentério, com hemorragia interna”.
Foi surpreendido, com outros integrantes da sua equipe de torturadores, tentando roubar a carga de contrabandistas aos quais eles achacavam habitualmente.
Estigmatizado no próprio Exército, iniciou nova carreira como bicheiro em Niterói.
Foi várias vezes preso como chefão do jogo do bicho e dos bingos.
É acusado de pertencer a grupos de extermínio do Espírito Santo.
Acaba de ser libertado pelo Supremo Tribunal Federal, que conseguiu enxergar motivos para conceder a um cidadão com tal prontuário o direito de aguardar em liberdade o julgamento do seu recurso contra a condenação a 48 anos de detenção que lhe foi imposta pela juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, da 6ª Vara Federal Criminal do RJ, como consequência da Operação…
Postado por Rafael Rocha em 7 maio 2012 às 12:30 0 Comentários 0 Curtiram isto
Coelho Neto - O político, professor, romancista, crítico e teatrólogo brasileiro Coelho Neto nasceu em Caxias (MA) em fevereiro de 1864, mas se transferiu junto com seus pais para o Rio de Janeiro aos seis anos de idade. Realizou os preparatórios realizou no Externato do Colégio Pedro II e matriculou-se na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, onde após se envolver em movimentos estudantis acabou por não concluir o curso. Em sua trajetória morou no Recife (PE) e em São Paulo (SP), sempre dedicando-se às causas abolicionistas e republicanas. No Rio de Janeiro fez parte da boêmia carioca ao lado de nomes como Olavo Bilac e Guimarães Passos, experiência que chegou a ser retratada em seus romances como “A Conquista”. Ainda na capital carioca, ingressou no jornal Gazeta da Tarde e depois foi para a folha Cidade do Rio, onde chegou a exercer o cargo de secretário. Casou-se com Maria Gabriela Brandão, filha do educador Alberto Olympio Brandão, com quem teve 14 filhos. De 1890 até o ano de 1892 foi nomeado secretário do Governo do Estado do Rio de Janeiro, diretor dos Negócios do Estado, professor de História da Arte na Escola Nacional de Belas Artes e professor de Literatura do Colégio Pedro II. Autor de livros, artigos, crônicas e folhetins, Coelho Neto foi um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras e ocupante da cadeira n. 2. Na literatura cultivou em sua obra quase todos os gêneros literários e foi, por muitos anos, o escritor mais lido do Brasil. Sua popularidade e talento lhes renderam o título de "Príncipe…
Postado por Rafael Rocha em 7 maio 2012 às 12:16 0 Comentários 0 Curtiram isto
O ano é 1945, sertão de Pernambuco. Menos de um mês depois de seu marido, Aristides, partir para tentar a vida em São Paulo, com uma moça bem mais nova, Dona Lindú dá a luz ao seu sexto filho, Luiz Inácio da Silva, que logo ganha o apelido de "Lula". "Lula, o filho do Brasil" é a saga de uma família Silva igual à odisséia de tantas outras familias Silva deste Brasil. Um filme sobre uma mãe e um filho, um menino, um sobrevivente, um homem que tomou as rédeas da sua vida. Lula, o Filho do Brasil é um filme brasileiro de 2009, inspirado na trajetória do ex-presidente do país, Luiz Inácio Lula da Silva. Dirigido por Fábio Barreto, o filme estreou no Brasil no primeiro dia de 2010 e estava previsto para estrear em toda a América do Sul também no início de 2010. Baseado no livro homônimo escrito pela jornalista Denise Paraná, o filme narra a história de Lula de seu nascimento até a morte de sua mãe, quando é um líder sindical de 35 anos detido pela polícia política da ditadura militar.
Postado por Rafael Rocha em 7 dezembro 2011 às 1:00 0 Comentários 0 Curtiram isto
SER OU NÃO SER CULTO? EIS A QUESTÃO!
Rafael Rocha – Jornalista
Camaradas:
Faço minhas as palavras do antropólogo inglês, Edward Burnett Tylor, “cultura é um complexo que inclui conhecimento, crenças, arte, leis, costumes e outras aptidões e hábitos adquiridos pelo homem como membro da sociedade”. O homem culto, se o observamos numa ótica mais simples, possui no seu subconsciente uma espécie de arquivo onde guarda fatos e conhecimentos. Quando ele deseja expor um deles, retira do arquivo o documento respectivo e o traz à luz.
Aqui em C&H, todos os membros têm seu nível cultural. Cada um com seus conhecimentos. Uns mais que outros, com arquivos maiores. Mas não devemos pensar que cultura e sabedoria são uma e a mesma coisa. Um homem pode ter uma imensa bagagem cultural, pode ser um erudito, sem ser um sábio. Sim, porque a sabedoria é a capacidade De o homem discernir ou interpretar o passado, vivenciar o presente e saber o que é melhor para o futuro. Dessa forma, o homem sábio identifica os erros praticados e os corrige para melhorar a sua vida.
O homem sábio busca o conhecimento, mas também busca espalhar esse conhecimento, levar o conhecimento adquirido para outras pessoas da forma mais fácil possível. O homem sábio é aquele que se conecta com o universo da maneira mais…
ContinuarPostado por Celso lungaretti em 29 abril 2012 às 15:00 0 Comentários 0 Curtiram isto
Crer que algo vá mudar com a troca da guarda na presidência dos EUA sempre foi a maior roubada. Quem manda é o stablishment, pouco importando as características do seu serviçal da vez na Casa Branca.
John Kennedy, p. ex., nem de longe pode ser considerado a pomba que dele fizeram, embora assassinado por falcões.
Deu sinal verde para a invasão da Baía dos Porcos em abril/1961, mas refugou quando o show já começara. Deixou de fornecer a prometida cobertura aérea para o desembarque dos gusanos e estes foram facilmente dominados.
Mas não fez objeção nenhuma a que exilados cubanos utilizassem o território dos EUA para prepararem uma incursão armada contra seu país, nem descartou o apoio intervencionista a tal empreitada.
Foi só na enésima hora que reconsiderou, preferindo evitar um comprometimento tão ostensivo com a agressão a uma nação soberana sem ter-lhe declarado guerra.
Resultado: o mundo inteiro ficou sabendo, da mesmíssima maneira, que os EUA estavam acumpliciados com a invasão. E esta fracassou rotundamente.
Depois que John e Robert Kennedy foram assassinados por…
Postado por Celso lungaretti em 22 abril 2012 às 12:30 0 Comentários 0 Curtiram isto
Fiquei chocado com esta notícia tão sucinta da Folha de S. Paulo deste domingo (22):
"O governo espanhol aprovou anteontem uma lei que restringe o atendimento médico público a imigrantes ilegais, que terão acesso apenas aos serviços básicos: emergência, maternidade e atendimento médico infantil.
Com a medida, o governo espera deixar de gastar € 500 mil neste ano. Desde 2000, o país não vive uma mudança tão radical na política sanitária, quando uma reforma na lei dava acesso às especialidades médicas somente aos imigrantes empregadoS".
Enquanto o jornalão paulista noticiou de forma telegráfica, a maioria dos veículos passou batida. Nem sequer na busca virtual encontrei grande coisa.Quem ainda é capaz de raciocinar e sentir como ser humano leu assim:
"O Governo espanhol, para não despender um punhado de euros, decidiu entregar à morte pessoas (gente como a gente, pouco importando em qual país nasceram!), que têm doenças graves e requerem tratamento médico continuado".
Eu, que nunca tive condições financeiras para fazer as viagens com as quais sonhava, recebo uma melancólica compensação: fortíssimos motivos para…
Camaradas:
Neste espaço vocês terão oportunidade de ler textos especiais. Os textos serão apresentados semanalmente. Bom proveito.
Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis. Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo. Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o tempo livre. Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias, que se torna seu protetor. o escritor era um típico homem de letras brasileiro bem sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público e por um casamento feliz que durou 35 anos. D. Carolina, mulher culta, apresenta Machado aos clássicos portugueses e a vários autores da língua inglesa. Sua união foi feliz, mas sem filhos. A morte de sua esposa, em 1904, é uma sentida perda, tendo o marido dedicado à falecida o soneto Carolina, que a celebrizou. Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Extraordinário contista, publica Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data (1884), Várias Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906). Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, que dirigia a Revista Brasileira, em sua redação promoviam reuniões os intelectuais que se identificaram com a ideia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras. Machado desde o princípio apoiou a ideia e compareceu às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa. É o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono. Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.
Quando eu era capelão de S. Francisco de Paula (contava um padre velho), aconteceu-me uma aventura extraordinária.
Morava ao pé da igreja, e recolhi-me tarde, uma noite. Nunca me recolhi tarde que não fosse ver primeiro se as portas do templo estavam bem fechadas. Achei-as bem fechadas, mas lobriguei luz por baixo delas. Corri assustado à procura da ronda; não a achei, tornei atrás e fiquei no adro, sem saber que fizesse. A luz, sem ser muito intensa, era-o demais para ladrões; além disso notei que era fixa e igual, não andava de um lado para outro, como seria a das velas ou lanternas de pessoas que estivessem roubando. O mistério arrastou-me; fui a casa buscar as chaves da sacristia (o sacristão tinha ido passar a noite em Niterói), benzi-me primeiro, abri a porta e entrei.
O corredor estava escuro. Levava comigo uma lanterna e caminhava devagarinho, calando o mais que podia o rumor dos sapatos. A primeira e a segunda porta que comunicam com a igreja estavam fechadas; mas via-se a mesma luz e, porventura, mais intensa que do lado da rua. Fui andando, até que dei com a terceira porta aberta. Pus a um canto a lanterna, com o meu lenço por cima, para que me não vissem de dentro, e aproximei-me a espiar o que era.
Detive-me logo. Com efeito, só então adverti que viera inteiramente desarmado e que ia correr grande risco aparecendo na igreja sem mais defesa que as duas mãos. Correram ainda alguns minutos. Na igreja a luz era a mesma, igual e geral, e de uma cor de leite que não tinha a luz das velas. Ouvi também vozes, que ainda mais me atrapalharam, não cochichadas nem confusas, mas regulares, claras e tranqüilas, à maneira de conversação. Não pude entender logo o que diziam. No meio disto, assaltou-me uma idéia que me fez recuar. Como naquele tempo os cadáveres eram sepultados nas igrejas, imaginei que a conversação podia ser de defuntos. Recuei espavorido, e só passado algum tempo, é que pude reagir e chegar outra vez à porta, dizendo a mim mesmo que semelhante idéia era um disparate. A realidade ia dar-me coisa mais assombrosa que um diálogo de mortos. Encomendei-me a Deus, benzi-me outra vez e fui andando, sorrateiramente, encostadinho à parede, até entrar. Vi então uma coisa extraordinária.
Dois dos três santos do outro lado, S. José e S. Miguel (à direita de quem entra na igreja pela porta da frente), tinham descido dos nichos e estavam sentados nos seus altares. As dimensões não eram as das próprias imagens, mas de homens. Falavam para o lado de cá, onde estão os altares de S. João Batista e S. Francisco de Sales. Não posso descrever o que senti. Durante algum tempo, que não chego a calcular, fiquei sem ir para diante nem para trás, arrepiado e trêmulo. Com certeza, andei beirando o abismo da loucura, e não caí nele por misericórdia divina. Que perdi a consciência de mim mesmo e de toda outra realidade que não fosse aquela, tão nova e tão única, posso afirmá-lo; só assim se explica a temeridade com que, dali a algum tempo, entrei mais pela igreja, a fim de olhar também para o lado oposto. Vi aí a mesma coisa: S. Francisco de Sales e S. João, descidos dos nichos, sentados nos altares e falando com os outros santos.
Tinha sido tal a minha estupefação que eles continuaram a falar, creio eu, sem que eu sequer ouvisse o rumor das vozes. Pouco a pouco, adquiri a percepção delas e pude compreender que não tinham interrompido a conversação; distingui-as, ouvi claramente as palavras, mas não pude colher desde logo o sentido. Um dos santos, falando para o lado do altar-mor, fez-me voltar a cabeça, e vi então que S. Francisco de Paula, o orago da igreja, fizera a mesma coisa que os outros e falava para eles, como eles falavam entre si. As vozes não subiam do tom médio e, contudo, ouviam-se bem, como se as ondas sonoras tivessem recebido um poder maior de transmissão. Mas, se tudo isso era espantoso, não menos o era a luz, que não vinha de parte nenhuma, porque o lustres e castiçais estavam todos apagados; era como um luar, que ali penetrasse, sem que os olhos pudessem ver a lua; comparação tanto mais exata quanto que, se fosse realmente luar, teria deixado alguns lugares escuros, como ali acontecia, e foi num desses recantos que me refugiei.
Já então procedia automaticamente. A vida que vivi durante esse tempo todo, não se pareceu com a outra vida anterior e posterior. Basta considerar que, diante de tão estranho espetáculo, fiquei absolutamente sem medo; perdi a reflexão, apenas sabia ouvir e contemplar.
Compreendi, no fim de alguns instantes, que eles inventariavam e comentavam as orações e implorações daquele dia. Cada um notava alguma coisa. Todos eles, terríveis psicólogos, tinham penetrado a alma e a vida dos fiéis, e desfibravam os sentimentos de cada um, como os anatomistas escalpelam um cadáver. S. João Batista e S. Francisco de Paula, duros ascetas, mostravam-se às vezes enfadados e absolutos. Não era assim S. Francisco de Sales; esse ouvia ou contava as coisas com a mesma indulgência que presidira ao seu famoso livro da Introdução à Vida Devota.
Era assim, segundo o temperamento de cada um, que eles iam narrando e comentando. Tinham já contado casos de fé sincera e castiça, outros de indiferença, dissimulação e versatilidade; os dois ascetas estavam a mais e mais anojados, mas S. Francisco de Sales recordava-lhes o texto da Escritura: muitos são os chamados e poucos os escolhidos, significando assim que nem todos os que ali iam à igreja levavam o coração puro. S. João abanava a cabeça.
- Francisco de Sales, digo-te que vou criando um sentimento singular em santo: começo a descrer dos homens.
- Exageras tudo, João Batista, atalhou o santo bispo, não exageremos nada. Olha - ainda hoje aconteceu aqui uma coisa que me fez sorrir, e pode ser, entretanto, que te indignasse. Os homens não são piores do que eram em outros séculos; descontemos o que há neles ruim, e ficará muita coisa boa. Crê isto e hás de sorrir ouvindo o meu caso.
- Eu?
- Tu, João Batista, e tu também, Francisco de Paula, e todos vós haveis de sorrir comigo: e, pela minha parte, posso fazê-lo, pois já intercedi e alcancei do Senhor aquilo mesmo que me veio pedir esta pessoa.
- Que pessoa?
- Uma pessoa mais interessante que o teu escrivão, José, e que o teu lojista, Miguel...
- Pode ser, atalhou S. José, mas não há de ser mais interessante que a adúltera que aqui veio hoje prostrar-se a meus pés. Vinha pedir-me que lhe limpasse o coração da lepra da luxúria. Brigara ontem mesmo com o namorado, que a injuriou torpemente, e passou a noite em lágrimas. De manhã, determinou abandoná-lo e veio buscar aqui a força precisa para sair das garras do demônio. Começou rezando bem, cordialmente; mas pouco a pouco vi que o pensamento a ia deixando para remontar aos primeiros deleites. As palavras paralelamente, iam ficando sem vida. Já a oração era morna, depois fria, depois inconsciente; os lábios, afeitos à reza, iam rezando; mas a alma, que eu espiava cá de cima, essa já não estava aqui, estava com o outro. Afinal persignou-se, levantou-se e saiu sem pedir nada.
- Melhor é o meu caso.
- Melhor que isto? perguntou S. José curioso.
- Muito melhor, respondeu S. Francisco de Sales, e não é triste como o dessa pobre alma ferida do mal da terra, que a graça do Senhor ainda pode salvar. E por que não salvará também a esta outra? Lá vai o que é.
Calaram-se todos, inclinaram-se os bustos, atentos, esperando. Aqui fiquei com medo; lembrou-me que eles, que vêem tudo o que se passa no interior da gente, como se fôssemos de vidro, pensamentos recônditos, intenções torcidas, ódios secretos, bem podiam ter-me lido já algum pecado ou gérmen de pecado. Mas não tive tempo de refletir muito; S. Francisco de Sales começou a falar.
- Tem cinqüenta anos o meu homem, disse ele, a mulher está de cama, doente de uma erisipela na perna esquerda. Há cinco dias vive aflito porque o mal agrava-se e a ciência não responde pela cura. Vede, porém, até onde pode ir um preconceito público. Ninguém acredita na dor do Sales (ele tem o meu nome), ninguém acredita que ele ame outra coisa que não seja dinheiro, e logo que houve notícia da sua aflição desabou em todo o bairro um aguaceiro de motes e dichotes; nem faltou quem acreditasse que ele gemia antecipadamente pelos gastos da sepultura.
- Bem podia ser que sim, ponderou S. João.
- Mas não era. Que ele é usurário e avaro não o nego; usurário, como a vida, e avaro, como a morte. Ninguém extraiu nunca tão implacavelmente da algibeira dos outros o ouro, a prata, o papel e o cobre; ninguém os amuou com mais zelo e prontidão. Moeda que lhe cai na mão dificilmente torna a sair; e tudo o que lhe sobra das casas mora dentro de um armário de ferro, fechado a sete chaves. Abre-o às vezes, por horas mortas, contempla o dinheiro alguns minutos, e fecha-o outra vez depressa; mas nessas noites não dorme, ou dorme mal. Não tem filhos. A vida que leva é sórdida; come para não morrer, pouco e ruim. A família compõe-se da mulher e de uma preta escrava, comprada com outra, há muitos anos, e às escondidas, por serem de contrabando. Dizem até que nem as pagou, porque o vendedor faleceu logo sem deixar nada escrito. A outra preta morreu há pouco tempo; e aqui vereis se este homem tem ou não o gênio da economia, Sales libertou o cadáver...
E o santo bispo calou-se para saborear o espanto dos outros.
- O cadáver?
- Sim, o cadáver. Fez enterrar a escrava como pessoa livre e miserável, para não acudir às despesas da sepultura. Pouco embora, era alguma coisa. E para ele não há pouco; com pingos d'água é que se alagam as ruas. Nenhum desejo de representação, nenhum gosto nobiliário; tudo isso custa dinheiro, e ele diz que o dinheiro não lhe cai do céu. Pouca sociedade, nenhuma recreação de família. Ouve e conta anedotas da vida alheia, que é regalo gratuito.
- Compreende-se a incredulidade pública, ponderou S. Miguel.
- Não digo que não, porque o mundo não vai além da superfície das coisas. O mundo não vê que, além de caseira eminente educada por ele, e sua confidente de mais de vinte anos, a mulher deste Sales é amada deveras pelo marido. Não te espantes, Miguel; naquele muro aspérrimo brotou uma flor descorada e sem cheiro, mas flor. A botânica sentimental tem dessas anomalias. Sales ama a esposa; está abatido e desvairado com a idéia de a perder. Hoje de manhã, muito cedo, não tendo dormido mais de duas horas, entrou a cogitar no desastre próximo. Desesperando da terra, voltou-se para Deus; pensou em nós, e especialmente em mim, que sou o santo do seu nome. Só um milagre podia salvá-la; determinou vir aqui. Mora perto, e veio correndo. Quando entrou trazia o olhar brilhante e esperançado; podia ser a luz da fé, mas era outra coisa muito particular, que vou dizer. Aqui peço-vos que redobreis de atenção.
Vi os bustos inclinarem-se ainda mais; eu próprio não pude esquivar-me ao movimento e dei um passo para diante. A narração do santo foi tão longa e miúda, a análise tão complicada, que não as ponho aqui integralmente, mas em substância.
- Quando pensou em vir pedir-me que intercedesse pela vida da esposa, Sales teve uma idéia específica de usurário, a de prometer-me uma perna de cera. Não foi o crente, que simboliza desta maneira a lembrança do benefício; foi o usurário que pensou em forçar a graça divina pela expectação do lucro. E não foi só a usura que falou, mas também a avareza; porque em verdade, dispondo-se à promessa, mostrava ele querer deveras a vida da mulher - intuição de avaro; - despender é documentar: só se quer de coração aquilo que se paga a dinheiro, disse-lho a consciência pela mesma boca escura. Sabeis que pensamentos tais não se formulam como outros, nascem das entranhas do caráter e ficam na penumbra da consciência. Mas eu li tudo nele logo que aqui entrou alvoroçado, com o olhar fúlgido de esperança; li tudo e esperei que acabasse de benzer-se e rezar.
- Ao menos, tem alguma religião, ponderou S. José.
- Alguma tem, mas vaga, e econômica. Não entrou nunca em irmandades e ordens terceiras, porque nelas se rouba o que pertence ao Senhor; é o que ele diz para conciliar a devoção com a algibeira. Mas não se pode ter tudo; é certo que ele teme a Deus e crê na doutrina.
- Bem, ajoelhou-se e rezou.
- Rezou. Enquanto rezava, via eu a pobre alma, que padecia deveras, conquanto a esperança começasse a trocar-se em certeza intuitiva. Deus tinha de salvar a doente, por força, graças à minha intervenção, e eu ia interceder; é o que ele pensava, enquanto os lábios repetiam as palavras da oração. Acabando a oração, ficou Sales algum tempo olhando, com as mãos postas; afinal falou a boca do homem, falou para confessar a dor, para jurar que nenhuma outra mão, além da do Senhor, podia atalhar o golpe. A mulher ia morrer... ia morrer... ia morrer... E repetia a palavra, sem sair dela. A mulher ia morrer. Não passava adiante. Prestes a formular o pedido e a promessa não achava palavras idôneas, nem aproximativas, nem sequer dúbias, não achava nada, tão longo era o descostume de dar alguma coisa. Afinal saiu o pedido; a mulher ia morrer, ele rogava-me que a salvasse, que pedisse por ela ao Senhor. A promessa, porém, é que não acabava de sair. No momento em que a boca ia articular a primeira palavra, a garra da avareza mordia-lhe as entranhas e não deixava sair nada. Que a salvasse... que intercedesse por ela...
No ar, diante dos olhos, recortava-se-lhe a perna de cera, e logo a moeda que ela havia de custar. A perna desapareceu, mas ficou a moeda, redonda, luzidia, amarela, ouro puro, completamente ouro, melhor que o dos castiçais do meu altar, apenas dourados. Para onde quer que virasse os olhos, via a moeda, girando, girando, girando. E os olhos a apalpavam, de longe, e transmitiam-lhe a sensação fria do metal e até a do relevo do cunho. Era ela mesma, velha amiga de longos anos, companheira do dia e da noite, era ela que ali estava no ar, girando, às tontas; era ela que descia do teto, ou subia do chão, ou rolava no altar, indo da Epístola ao Evangelho, ou tilintava nos pingentes do lustre.
Agora a súplica dos olhos e a melancolia deles eram mais intensas e puramente voluntárias. Vi-os alongarem-se para mim, cheios de contrição, de humilhação, de desamparo; e a boca ia dizendo algumas coisas soltas, - Deus, - os anjos do Senhor, - as bentas chagas, - palavras lacrimosas e trêmulas, como para pintar por elas a sinceridade da fé e a imensidade da dor. Só a promessa da perna é que não saía. Às vezes, a alma, como pessoa que recolhe as forças, a fim de saltar um valo, fitava longamente a morte da mulher e rebolcava-se no desespero que ela lhe havia de trazer; mas, à beira do valo, quando ia a dar o salto, recuava. A moeda emergia dele e a promessa ficava no coração do homem.
O tempo ia passando. A alucinação crescia, porque a moeda, acelerando e multiplicando os saltos, multiplicava-se a si mesma e parecia uma infinidade delas; e o conflito era cada vez mais trágico. De repente, o receio de que a mulher podia estar expirando, gelou o sangue ao pobre homem e ele quis precipitar-se. Podia estar expirando. Pedia-me que intercedesse por ela, que a salvasse...
Aqui o demônio da avareza sugeria-lhe uma transação nova, uma troca de espécie, dizendo-lhe que o valor da oração era superfino e muito mais excelso que o das obras terrenas. E o Sales, curvo, contrito, com as mãos postas, o olhar submisso, desamparado, resignado, pedia-me que lhe salvasse a mulher. Que lhe salvasse a mulher, e prometia-me trezentos, - não menos, - trezentos padre-nossos e trezentas ave-marias. E repetia enfático: trezentos, trezentas, trezentos... Foi subindo, chegou a quinhentos, a mil padre-nossos e mil ave-marias. Não via esta soma escrita por letras do alfabeto, mas em algarismos, como se ficasse assim mais viva, mais exata, e a obrigação maior, e maior também a sedução. Mil padre-nossos, mil ave-marias. E voltaram as palavras lacrimosas e trêmulas, as bentas chagas, os anjos do Senhor... 1.000 - 1.000 - 1.000. Os quatro algarismos foram crescendo tanto, que encheram a igreja de alto a baixo, e com eles, crescia o esforço do homem, e a confiança também; a palavra saía-lhe mais rápida, impetuosa, já falada, mil, mil, mil, mil ... Vamos lá, podeis rir à vontade, concluiu S. Francisco de Sales.
E os outros santos riram efetivamente, não daquele grande riso descomposto dos deuses de Homero, quando viram o coxo Vulcano servir à mesa, mas de um riso modesto, tranqüilo, beato e católico.
Depois, não pude ouvir mais nada. Caí redondamente no chão. Quando dei por mim era dia claro... Corri a abrir todas as portas e janelas da igreja e da sacristia, para deixar entrar o sol, inimigo dos maus sonhos.
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MARXISMO E MEIO AMBIENTE
Texto de José Carlos Ruy - Jornalista e Historiador
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Karls Marx não foi um pensador da economia, da sociedade ou da política, como muitas vezes se supõe. Sua atividade científica foi um esforço para entender o ser humano, que ele pensrou de maneira integral e não só como um animal econômico, político ou social.
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Seu ponto de partida foi o esforço para compreender o ser humano em sua completude e, desta forma, identificar os caminhos e as formas para interferir no curso da organização da vida e conquistar formas superiores de convivência capazes de superar as desigualdades e constituir um mundo onde, como Marx e Engels escreveram no MANIFESTO DO PARTIDO COMUNISTA, o desenvolvimento de cada um seja a condição do desenvolvimento de todos. Ele rompeu com as formas idealistas e religiosas dominantes em seu tempo, que encaravam o ser humano como o auge da criação divina, distinto dos demais animais pelo dom da palavra e do pensamento, que partilhava com um deus de quem teria recebido a incumbência e o poder de dominar a natureza e os demais seres vivos. Marx promoveu uma rotação radical na compreensão desta espécie de animal que pensa: partiu de suas condições de vida, das formas como obtinha os bens necessários à sua sobrevivência, da maneira como produzia estes bens e dividia com os demais o resultado de um trabalho que era de todos – formas de produção e apropriação do resultado do trabalho de todos que geraram, através das diferentes formas históricas em que a vida humana se organizou, as diferenças de classe que ainda perduram.
Marx partiu de uma ideia conhecida desde os filósofos gregos: o homem é um animal social, cuja sobrevivência exige a cooperação de todos os membros da comunidade. O pensamento anterior também havia fixado aquilo que a humanidade vivia desde o início de sua vida sedentária e organizada: os homens estavam divididos entre uma maioria a quem cabia o trabalho duro e uma minoria de dominantes que controlavam a produção e a posse dos produtos do trabalho dos demais, reservando-se por isso uma fatia privilegiada na divisão do produto social. Estavam divididos em classes, cuja expressão foi diferente nas distintas épocas históricas mas que sempre reservou privilégios para os que mandam e trabalho duro e condições de vida difíceis para os demais. A grande novidade introduzida por Marx foi articular estas diferentes esferas da vida em uma explicação única que junta, num movimento só, as condições da produção e distribuição dos bens necessários à vida com as relações de poder na sociedade e com as formas ideológicas (culturais, religiosas, jurídicas) formuladas para explicar e legitimar as relações de produção existentes e a forma de organização da sociedade e as diferenças que ela admite e perpetua.
Marx trouxe a explicação do que é o ser humano dos céus para a terra, desdivinizando-a. e colocando no centro dessa explicação as relações sociais de produção e as formas de organização da vida. Formulou assim as ideias de formação econômico social, de modo de produção, com suas formas próprias de trabalho, de articulação entre os trabalhadores diretos e deles, de maneira conflitiva e contraditória, com as camadas dominantes da sociedade e, finalmente, do conjunto dos seres humanos e da sociedade com o meio natural. Num ambiente, no início do século 19, herdado das lutas da revolução francesa e da ambição dos pensadores do Iluminismo - que viam o progresso como ampliação da liberdade e crescente autonomia de cada um dos seres humanos perante os demais, inclusive os dominantes - Marx surgiu e se desenvolveu como pensador imbuído da expectativa de encontrar o caminho para a libertação da humanidade.
A filosofia – isto é, os propósitos libertários da filosofia, particularmente dos pensadores do Iluminismo e dos clássicos alemães, entre Kant e Hegel – não pode se realizar na esfera abstrata do pensamento, pensava ele, mas quando se encontrar com o conjunto dos seres humanos. A teoria, escreveu num texto da juventude (CRÍTICA DA FILOSOFIA DO DIREITO DE HEGEL, Introdução - 1844), se torna uma força material a se apoderar das massas. Esta perspectiva materialista, que Marx fixou em A IDEOLOGIA ALEMÃ, que escreveu em parceria com Engels em 1845, foi um ponto de virada gigantesco: a vida social tem suas leis próprias, não rígidas e deterministas como as leis da física porque são condicionadas pela prática humana, e também não sobrenaturais ou metafísicas pois decorrem justamente desta atividade prática.
Estas leis evoluem com o tempo, de acordo com a maneira como os seres humanos resolvem as contradições que surgem no próprio processo produtivo e se estendem pela sociedade (a luta de classes) condicionando a maneira como a produção material é organizada, como o poder político é exercido, como a distribuição dos bens ocorre, como o pensamento formula as maneiras de legitimação daquelas relações. Isto é, o avanço da humanidade não ocorre a partir dos planos da cultura, das ideias, do pensamento, da religião, da ciência, da ética ou da moral, mas no plano material da produção dos bens necessários à vida, que condiciona o desenvolvimento aquelas esferas e, é preciso reconhecer, como o próprio Marx ensina, é condicionado por elas.
Daí o cuidado revelado por Marx em compreender a maneira como esta produção se dá: uma das condições para a libertação de todos os seres humanos é a superação da sociedade de escassez que tem caracterizado a existência humana. Mais do que do pensamento, a libertação de todos os seres humanos para que possam desenvolver livremente suas múltiplas potencialidades depende assim do aumento da produtividade, da existência de uma produção material (de alimentos, abrigos e demais meios de existência, assim como de serviços de saúde, educação, cultura, etc) capaz de atender ao conjunto da humanidade.
MARX PRODUTIVISTA? - Há uma recorrente crítica ao pensamento de Marx segundo a qual, para ele, a preocupação com a defesa do meio ambiente fica subordinada às exigências da produção. E também que seu pensamento reproduz velhas noções de domínio do homem sobre a natureza. É preciso tratar a questão um pouco mais de perto para avaliar a procedência de críticas como estas e esclarecer a relação que existe, no pensamento marxista, entre os seres humanos e a natureza. É fundamental para Marx a compreensão de que os seres humanos fazem parte da natureza, que ele caracterizou como seu corpo inorgânico, havendo um metabolismo entre homem e natureza. Daí sua crítica às agressões ambientais, principalmente daquelas decorrentes do modo capitalista de produção
A relação entre seres humanos e a natureza ocorre através da atividade prática, do processo de trabalho, necessário para a obtenção e elaboração de todos os bens necessários à manutenção da vida. O trabalho é, assim, o elo fundamental no metabolismo homem/natureza. E ele se exerce com o uso de ferramentas, desde as mais simples, até as mais sofisticadas – desde a pedra lascada, usada nos primórdios da humanidade, até as mais complexas máquinas deste início do terceiro milênio. São as ferramentas e os meios de trabalho (entre eles os insumos, na agricultura e na criação de animais) que fazem, no processo de produção – isto é, na atividade de obtenção dos meios de vida – a mediação entre os seres humanos e a natureza.
As ferramentas vão desde pás, flechas ou martelos, até caminhões, navios e aviões; de uma lamparina rústica às gigantescas usinas que produzem eletricidade; dos métodos para contar usando as juntas do corpo aos computadores. Elas são instrumentos de mediação entre o homem e a natureza, capazes de aumentar sua capacidade produtiva, de ampliar a potência da força de trabalho humana, tornando o intercâmbio com a natureza mais produtivo e criando mediações cada vez mais sutis e que muitas vezes podem passar desapercebidas, levando à noção de que os seres humanos estariam em oposição ou confronto com a natureza.
Esta noção de confronto ou oposição entre o homem e a natureza é completamente estranha ao pensamento marxista. Para Marx, há um “metabolismo social” que envolve todos os seres humanos e a natureza. Mesmo o urbanóide mais refinado, morador de uma das modernas megalópolis do planeta, só pode viver e sobreviver porque participa deste metabolismo social: depende dele desde coisas muito simples, como alimentar-se, morar, desfazer-se de seus dejetos, até mais complexas como usar um computador (petróleo e energia elétrica) ou falar ao celular (ondas do espectro eletromagnético). Há milênios, quando vivia em contado mais direto com a natureza, os seres humanos eram obrigados a caçar, coletar e produzir diretamente seus alimentos, abrigos e outros meios de vida, e praticamente não havia mediação entre eles e os produtos que extraia do meio ambiente para seu próprio consumo e de sua coletividade.
Hoje, a mediação é quase infinita e “invisível”: o pão consumido, por exemplo, esconde a cadeia produtiva que envolve desde o trabalhador que cultivou a terra, aquele que semeou, o outro que colheu, o moageiro que reduziu o grão a farinha, o trabalhador que empacotou a farinha, o outro que a transportou até a indústria panificadora, o padeiro que produziu o pão, o motorista do caminhão que o levou ao supermercado, o empacotador do supermercado, a operadora do caixa que recebeu o pagamento pelo pão. Isto deixando de lado outras tarefas indiretamente ligadas à produção do simples pão cotidiano: o preparo da semente do trigo que foi plantado, os trabalhadores envolvidos com o transporte e a comercialização destes insumos, os outros envolvidos com a pesquisa e o conhecimento técnico em todas as fases da cadeia produtiva, os empregados administrativos que controlam a produção, seu estoque e comercialização, os especialistas envolvidos nos mecanismos financeiros presentes em todas estas etapas, etc, etc, etc. Uma mesma descrição, tediosa como esta, poderia ser feita em relação à produção da energia elétrica, aos meios de comunicação envolvidos com a internet e com o uso de telefones celulares, etc. E assim por diante, envolvendo todos os bens, tangíveis ou não, necessários à vida e que resultam de processos produtivos que envolvem múltiplas tarefas e sempre o intercâmbio com a natureza.
Isto é, a mediação entre cada ser humano e os objetos de consumo necessários à sua sobrevivência, hoje, é concretizada por uma miríade de formas de conhecimento e habilidades concretas cristalizadas na ação concreta de cada um destes trabalhadores formando, por assim dizer, uma longa cadeia de atividades que, no nosso exemplo, são necessárias para colocar o pão na mesa de nosso urbanóide ultramoderno e, supostamente, em confronto com a natureza. Esta é uma descrição sumária e pouco desenvolvida do processo por meio do qual os seres humanos interagem entre si e com o meio ambiente, através do qual, transformam a natureza e, ao fazê-lo, transformam-se a si próprios.
Veja mais em: http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=168626&id_secao=11