No livro A Condição Humana, Norbert Elias reuniu observações a respeito da história e da vida social. O trabalho foi um texto produzido originalmente como conferência proferida no dia oito de maio de 1985, em comemoração aos 40 anos do final da II Guerra Mundial. Elias rejeita a bucolização do homem. Sob seu entendimento a trajetória humana foi a da rejeição dos relacionamentos marcados pelo exercício da força bruta, numa história que levou ao controle cada vez maior do homicídio recíproco, marca que a natureza deu ao cotidiano dos primeiros homens. Durante várias gerações o homem selvagem teria aprendido com a cultura o exercício do autocontrole das suas tensões, cada vez mais elegendo a guerra, o assassínio e o extermínio direto apenas em circunstâncias eventuais que chocam a todos, mesmo os conflitos violentos entre os homens sendo próprios da condição humana de ser natural. Essa marcas do comportamento humano originalmente foram tão naturais quanto as inundações e as tempestades. Uma instituição permanente, as guerras pertencem a uma sólida tradição da humanidade. A Natureza, segundo Elias, é vista tradicionalmente com um certo bucolismo, associada ao mito do bom selvagem e vista como boa e perfeita, idealmente intocável. Sob a sua visão, a Natureza ter-se-ia aperfeiçoado porque o homem foi capaz de domar as forças selvagens desta à medida que domou a si próprio. A Terra indomada estava originalmente dominada por espíritos e deuses imaginários que habitavam suas florestas sombrias, suas montanhas solitárias, os perigos dos mares e foi demonizada pelos homens. Somente depois foi transformada em Mãe-natureza, boa e telúrica, que dá tudo a todos, espontaneamente, perdendo o encanto e a magia à medida que o homem se desencantou de si próprio e passou a habitar um mundo que está longe de ser aquele projetado pelos desejos de cada um. Portanto, em tal desencantamento, cada vez menos o mundo é a imagem da harmonia projetada por Isaac Newton. O universo real é aquele no qual a massa atômica solar consome incessantemente o seu combustível e os buracos negros levam para sempre toda a luz. A bucolização da natureza e dos homens é feita por contemporâneos nossos que tiveram pouca oportunidade de refletir sobre o fato de que o risco de destruir a natureza é o preço que o homem tem pago para embelezá-la, para aperfeiçoar a si próprio. Todavia, o universo é indiferente ao destino dos homens e caracterizado por uma trajetória cega, movido por potências físicas que trazem latente uma possibilidade de autodestruição infinitamente superior à capacidade de intervenção do homem. É o mesmo processo que impõe ao corpo do homem doenças naturais e degenerativas,
o envelhecimento e a morte. Para Norbert Elias, a natureza não é em si nem má nem boa.

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